Um episódio de briga no trânsito terminou em perseguição e tentativa de agressão contra um motoboy na tarde desta quinta-feira (23), em Barra Velha, no Litoral Norte de Santa Catarina. O caso envolveu um funcionário — identificado como recepcionista — de uma rede internacional de hotelaria, que estava uniformizado no momento da ocorrência.
A vítima, João Victor Keppe, de 20 anos, entregador da empresa 101 Motoboys, relatou que a situação começou na Avenida Paraná, enquanto se deslocava para uma entrega que seria realizada em uma pousada na região central da cidade.
“Parei no semáforo e tinha um senhor ao meu lado com uma scooter elétrica. O sinal estava quase abrindo quando ele avançou ainda fechado. Quando abriu, eu segui e ele cortou a minha frente. Passei pelo lado e questionei, porque ele não deu sinal nenhum”, afirmou.
Segundo João, após o desentendimento inicial, o homem passou a persegui-lo pelas ruas. “Ele foi atrás de mim. Entrei na rua Armando Petrelli para fazer a entrega e ele continuou me seguindo até a pousada”, contou.
Ao chegar ao destino, a situação se agravou. “Ele começou a me xingar, dizendo que eu não tinha respeito. Depois me empurrou e tentou vir pra cima de mim para me bater”, relatou o motoboy.
Dentro do estabelecimento, uma funcionária — que pediu para não ser identificada — presenciou toda a cena e descreveu momentos de tensão e medo. Segundo ela, João já chegou ao local abalado. “Ele chegou tremendo e disse que tinha acontecido uma situação no trânsito. A gente conhece ele de outras entregas, é um menino tranquilo”, contou.
De acordo com a testemunha, o homem chegou logo em seguida, já alterado. “Ele desceu da scooter xingando, falando alto, com palavras de baixo calão. Em determinado momento, ele empurrou o rapaz e tentou partir para agressão. Eu entrei na frente e pedi para ele parar”, relatou.
A funcionária destacou ainda que o homem tentou invadir o estabelecimento para continuar a agressão. “A dona da pousada colocou o menino para dentro e disse que ali ele não entraria para fazer aquilo. Mesmo assim, ele insistia. A gente precisou empurrar ele para fora o tempo todo”, afirmou.
Segundo ela, além da tentativa de agressão, houve ofensas direcionadas às mulheres que estavam no local. “O que mais entristece foi a forma como ele falou, sem respeito nenhum. Estavam ali mulheres trabalhando e uma cliente, e ele usou palavras muito pesadas”, disse.
A testemunha também relatou o estado emocional do motoboy durante toda a situação. “Ele não reagiu em nenhum momento. Só tremia e pedia para o homem ir embora. A gente teve que proteger ele, deixar ele dentro do estabelecimento até tudo se acalmar, porque não sabíamos o que poderia acontecer”, explicou.
Ainda conforme o relato, o homem chegou a fazer ameaças e tirar fotos do motoboy e de sua motocicleta. “Foi uma situação muito tensa. A gente só conseguiu afastar ele quando foi dito que a polícia seria chamada”, completou.
A funcionária também fez um desabafo sobre a realidade enfrentada pelos profissionais de entrega. “Existe uma repulsa muito grande contra motoboys, como se todos fossem errados. Mas são trabalhadores, necessários no dia a dia de todo mundo. Quando as pessoas estão em casa esperando uma pizza quentinha, por exemplo, é um motoboy que está ali na rua, correndo risco para levar”, pontuou.
A secretária da empresa 101 Motoboys, Patrícia Luana Roloff, classificou o episódio como revoltante. “Nosso entregador foi fechado no trânsito, xingado, seguido e quase agredido. Isso mostra a realidade que muitos profissionais enfrentam diariamente nas ruas”, afirmou.
Ela também reforçou a necessidade de mais respeito à categoria. “Muitas vezes os motoboys são julgados, mas situações como essa mostram o outro lado, o risco e a pressão que eles vivem todos os dias”, completou.
O portal danimeller.com entrou em contato com representantes do hotel onde o suposto agressor trabalha, já que ele utilizava uniforme da empresa no momento do ocorrido. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno, apenas que o caso seria repassado à gerência. O espaço segue aberto para manifestação.
O caso reacende o debate sobre segurança no trânsito e evidencia a vulnerabilidade de profissionais de entrega, que enfrentam não apenas os riscos das vias, mas também episódios de hostilidade durante a rotina de trabalho.








