Mais de 100 combatentes, mais de 28 horas de combate, mais de 1 milhão de litros de água, 17 cidades envolvidas, dezenas de viaturas e um só objetivo: apagar as chamas que consumiam sem dó, dois galpões da empresa MC Logística em Barra Velha, na BR-101.
Os esforços que começaram pequeno se transformaram num grande exército e reuniu homens e mulheres dos Bombeiros Militares, Voluntários, Voluntários da União e Comunitários, Defesa Civil, policiais da Polícia Militar, Prefeitura Municipal de Barra Velha e dezenas de colaboradores diretos e indiretos, trabalhando intensamente madrugada a dentro, até as chamas principais serem extintas.
Carretas e caminhões auto tanques e auto bomba tanque de resgate se deslocaram em comboio de Joinvile para dar apoio na operação. Até uma Auto Escada Mecânica do 13º Batalhão dos Bombeiros de Balneários Camboriú, que nunca antes tinha sido usada, foi empregada no combate.

Toda a água doce disponível na cidade foi utilizada. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de São João do Itaperiú, Rodrigo Caetano, responsável por essa captação, foram montadas contenções (espécie de piscinas) para evitar que os caminhões de combate ficassem desabastecidos.
No primeiro momento foi utilizada toda a água disponível das viaturas tanque que estavam no local e do hidrante da empresa (a capacidade exigida é de 4 mil litros). Enquanto isso as equipes de captação iam em busca de hidrantes da região e empresas de grande porte.

A rede de supermercados komprão do bairro Itajuba disponibilizou 30 mil litros de água e a Havan mais 500 mil litros, além do apoio da Transben Barra Velha, empresa de transporte. Toda a capacidade de água nos hidrantes da cidade também foi utilizada.
Ao ser questionado do comandante o porquê de não se utilizar água do mar, ele explica: “Até podemos, mas isso no futuro poderia danificar nossos caminhões por dentro e até as bombas. A limpeza posterior à utilização de água salgada deveria ser minuciosa”. Ao todo, as equipes comandadas por ele fizeram 7 viagens de captação.
Paralelo a isso, enquanto a operação principal acontecia, desconhecidos se uniram para auxiliar quem estava na ponta. Dezenas de mãos levaram comida e água para quem não parou um segundo de trabalhar.
“Nossa missão é salvar vidas e graças a Deus aqui ninguém ficou ferido, restando apenas o combate, que fizemos com esforços somados. Ninguém trabalha sozinho e por sorte a ajuda veio de todos os lugares. Isso vale todo o nosso empenho”, comentou o sub comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Barra Velha, Thiago Fernandes. “Ninguém mediu esforços, nos tornamos um só”.
Mas até para os mais experientes a cena além de triste é bastante assustadora. “Num local que antes abrigava desenvolvimento e dezenas de famílias empregadas e resumia-se em economia para a cidade, e que agora restam apenas escombros, não é fácil de ver”, relatou um bombeiro.
Na área de quase 20 mil metros quadrados, muito ferro retorcido, objetos derretidos e o futuro de muita gente que se resumiu em pó. Informações ainda não oficias são de que os responsáveis pela empresa não tinham seguro e que os prejuízos ultrapassam o valor de R$ 150 milhões.
Uma barraca, Posto de Comando, foi montada para dar suporte logístico a toda essa operação que não se abateu nem pelo cansaço nem pelo sono. Eles lutaram com todas as forças, sem pensar no depois, para evitar que as chamas que ganharam o céu, atingissem também mais edificações no pátio da transportadora e se alastrasse para residências vizinhas ao local.

“É uma das maiores operações de doação do ser humano que Barra Velha já viu. Como prefeito me solidarizo com cada um que mesmo não estando de plantão, deixou o seio do seu lar para auxiliar o colega. Me solidarizo também com os responsáveis pela empresa por essa tragédia sem tamanho”, disse o prefeito Douglas Elias da Costa.
Mas o trabalho não parou quando o dia amanheceu, as equipes continuam até agora no local, porque ainda se tem muito a fazer. “Mesmo quando as chamas principais se apagam, o risco de algum fagulho voltar à tona é grande. Para isso se faz o rescaldo. As equipes entram no local com câmeras térmicas que conseguem detectar o mínimo de risco possível”, explicou Rodrigo Caetano.
As chama iniciaram por volta das 18h30 num dos galpões centrais da transportadora localizada no quilômetro 95, às margens da BR-101, no bairro Medeiros.

Além das equipes de Barra Velha, deram apoio os combatentes das cidades de Araquari, Ascurra, Balneário Piçarras, Balneário Camboriú, Corupá, Guaramirim, Itajaí, Itapema, Indaial, Joinville, Jaraguá do Sul, Navegantes, Penha, Piçarras, Pomerode e São João do Itaperiú.
As operações iniciais foram coordenadas pelo capitão Militar de Barra Velha, Jonas Talaisys com apoio do comandante Neilor Vicenzi, dos Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul, rendidos pela manhã.
A equipe do Portal danimeller.com esteve no local, mas devido à situação e o respeito, preferiu não conversar com o responsável pela empresa nesse momento, mas deixa aqui o espaço e os sinceros votos de recuperação.








