Amanda Maria Souza de Oliveira, uma mulher de 38 anos que se passou por uma adolescente de 12 anos para conquistar a confiança e obter vantagens materiais de uma família em Joinville, no Norte de Santa Catarina, foi condenada pela Justiça. A sentença foi proferida após pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que denunciou a ré pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
A decisão do Juízo da 1ª Vara Criminal de Joinville fixou a pena em 1 ano, 10 meses e 28 dias de prisão, em regime inicial semiaberto. A Justiça também negou à condenada o direito de recorrer em liberdade, mantendo a prisão preventiva.
A audiência de instrução e julgamento ocorreu na quarta-feira (19). Foram ouvidas as vítimas, testemunhas e a própria ré. Ao final da produção das provas, acusação e defesa apresentaram alegações finais orais.
Durante a audiência, o MPSC requereu a condenação pelos crimes de estelionato e falsa identidade, além da manutenção da prisão preventiva, sob o argumento de que a medida seria necessária para assegurar a aplicação da lei penal e evitar a possibilidade de reiteração criminosa.
O Promotor de Justiça Ricardo Paladino, que atuou na audiência, afirmou que as provas produzidas demonstraram a prática dos crimes descritos na denúncia.
“Ficou cabalmente demonstrada a prática dos crimes narrados na denúncia, assim como a capacidade da acusada de entender o caráter ilícito das condutas e de se determinar de acordo com esse entendimento”, declarou.
Mulher criou identidade fictícia e dizia ter apenas 12 anos
Segundo a denúncia apresentada pela 9ª Promotoria de Justiça de Joinville, a mulher teria criado uma personagem identificada como “Gabriele Ferreira dos Santos” e passado a se apresentar como uma criança.
A estratégia, conforme o MPSC, teria sido utilizada para conquistar a confiança das vítimas e obter vantagens materiais, incluindo moradia, alimentação, transporte e medicamentos.
As condutas teriam ocorrido entre fevereiro de 2025 e junho de 2026.
Para sustentar a identidade fictícia, a mulher teria contado histórias sobre supostos maus-tratos, abusos e situações de vulnerabilidade envolvendo familiares. Além disso, teria adotado comportamentos compatíveis com a idade que dizia ter, como falar de maneira infantilizada, utilizar objetos associados à infância e simular crises emocionais.
A família, acreditando estar acolhendo uma adolescente em situação de vulnerabilidade, teria assumido integralmente sua subsistência.
Entre os benefícios recebidos estavam alimentação, transporte, moradia, uma comemoração de aniversário e até medicamentos de alto custo utilizados para emagrecimento.
Como a mulher conseguiu enganar a família
A aproximação com a família começou por intermédio de um pastor de uma igreja local. Inicialmente, a mulher teria afirmado que tinha 18 anos, possuía experiência em panificação e procurava uma oportunidade de trabalho.
Com o passar do tempo, segundo o relato do caso, ela passou a contar sobre supostos problemas de saúde e dificuldades financeiras, o que fez com que a família aumentasse o apoio oferecido.
Depois de conquistar a confiança dos moradores, a narrativa teria mudado completamente. Ela passou a afirmar que tinha apenas 11 anos e que teria sido vítima de abusos e maus-tratos.
A família então a acolheu em casa, acreditando estar ajudando uma criança em situação de vulnerabilidade. Ela chegou a receber um quarto decorado com elementos infantis e uma festa de aniversário como se estivesse completando 12 anos.
Ao todo, segundo as informações divulgadas no decorrer da investigação, a mulher permaneceu por cerca de 14 meses convivendo com a família, que acreditava estar cuidando de uma adolescente.
Suspeita foi descoberta após investigação da família
A situação começou a ser descoberta depois que uma tia levantou suspeitas sobre a verdadeira identidade da mulher. A partir de buscas e verificações, informações começaram a contradizer a história apresentada pela suposta adolescente.
As suspeitas foram levadas à família, que posteriormente procurou a polícia. A mulher foi presa em 2 de junho, em Joinville. A Polícia Civil instaurou investigação, concluiu o inquérito e encaminhou o procedimento ao Ministério Público, que ofereceu denúncia pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
A denúncia foi recebida pelo Poder Judiciário, transformando o caso em uma ação penal.
Exames de sanidade mental foram realizados
Durante o andamento do processo, a mulher também passou por exame de sanidade mental realizado pela Polícia Científica, em junho.
Segundo informações divulgadas pela defesa, também foi realizado outro exame por profissionais indicados pelos advogados. Os laudos apresentaram divergências, mas os detalhes não foram divulgados porque o processo tramita sob sigilo.
Os documentos foram encaminhados ao Judiciário e considerados elementos de prova no processo.








