Um cão de rua, de raça indefinida, morreu na tarde desta quarta-feira (27) em Barra Velha (SC) com sintomas compatíveis com raiva, uma doença viral grave e fatal tanto para animais quanto para seres humanos. O caso ocorreu por volta das 17h20 no bairro Itajuba, nas proximidades das Pedras Brancas, e está sob investigação das autoridades de saúde.
De acordo com relatos de moradores e da ONG Barra Bicho, o animal era alimentado regularmente por uma moradora local, identificada como Mariana, que estranhou o comportamento do cão ao encontrá-lo desorientado, andando em círculos, batendo contra muros e sem se alimentar. Preocupada, ela o recolheu e o manteve isolado em seu banheiro, enquanto buscava orientação veterinária.
Dois profissionais da área, consultados por vídeo, levantaram a suspeita de raiva diante dos sintomas apresentados. O estado do animal se agravou rapidamente: ele passou a se debater, salivar excessivamente e demonstrar comportamento agressivo. Uma veterinária particular, Dra. Larissa, foi até o local para atendimento e, durante a coleta de sangue, o cão sofreu uma parada cardíaca e morreu.
A Vigilância Epidemiológica de Barra Velha foi acionada e recolheu o corpo do animal para exames laboratoriais. Segundo a ONG, é essencial a análise de material cerebral para confirmação da raiva — uma zoonose de notificação obrigatória e alto risco à saúde pública.
A ONG Barra Bicho, por meio da voluntária Iraci Rocha, formalizou um protocolo na Ouvidoria da Prefeitura solicitando providências urgentes, transparência nas informações e aplicação das medidas sanitárias previstas pelo Ministério da Saúde. A reportagem entrou em contato com a Vigilância Epidemiológica do município, mas até o momento não houve retorno oficial.
O que é a raiva?
A raiva é uma doença viral que atinge mamíferos e se transmite principalmente por meio da mordida, arranhão ou contato com saliva de um animal infectado. Uma vez manifestados os sintomas, a doença é praticamente 100% letal, tanto em humanos quanto em animais.
Em animais, os sintomas incluem:
- Mudança de comportamento (apatia ou agressividade);
- Salivação excessiva;
- Dificuldade de locomoção;
- Convulsões;
- Desorientação.
Nos humanos, os sintomas são:
- Febre, dor de cabeça e mal-estar nos estágios iniciais;
- Evoluindo para confusão, alucinações, espasmos musculares e paralisia.
Não há cura após o início dos sintomas, por isso, o tratamento preventivo imediato após a exposição é fundamental.
O que fazer diante de um animal com sintomas?
A orientação é clara:
- Não se aproxime de animais com comportamento alterado ou sinais neurológicos;
- Não tente capturar ou abrigar o animal;
- Acione a Vigilância Epidemiológica ou órgão de zoonoses do município;
- Em caso de contato com saliva, mordidas ou arranhões, lave o local com água e sabão e procure atendimento médico imediatamente.
Origem e prevenção
A raiva é causada por um vírus da família Rhabdoviridae e pode ser transmitida por cães, gatos, morcegos e outros mamíferos. Embora controlada em grande parte do Brasil, a doença ainda representa risco em regiões com alta população de animais abandonados e baixa cobertura vacinal.
Vacinar cães e gatos anualmente continua sendo a forma mais eficaz de prevenção. O caso em Barra Velha reforça a necessidade de campanhas de vacinação antirrábica, bloqueios sanitários em áreas de risco e vigilância ativa por parte das autoridades de saúde.
A ONG Barra Bicho alerta que, se confirmada a raiva, o caso representa uma grave ameaça à saúde pública e exige respostas rápidas e transparentes do poder público.
Protocolo registrado pela ONG Barra Bicho na Ouvidoria da Prefeitura de Barra Velha:
“A Associação Barra Bicho de Proteção Animal, entidade sem fins lucrativos atuante no município de Barra Velha, vem manifestar extrema preocupação diante da informação sobre o óbito de um cão de rua, ocorrido hoje nesta cidade, sob suspeita de raiva. Trata-se de situação de gravidade incontestável, uma vez que a raiva é doença letal, de notificação obrigatória e que representa sério risco à saúde pública e à saúde animal, demandando medidas imediatas por parte do poder público.
Diante disso, solicitamos que seja verificado, com a máxima urgência, se houve a coleta de amostras do animal para exame laboratorial, bem como as datas e locais de envio, informando também quando se espera a emissão do laudo e qual laboratório está responsável. Requeremos, ainda, que tão logo haja resultado conclusivo, seja comunicado de forma clara e oficial se a suspeita foi confirmada ou descartada.
Em caso de confirmação, é imprescindível que sejam emitidos alertas públicos a toda a população, adotando-se protocolos de contenção, vacinação antirrábica, bloqueio sanitário e demais medidas preconizadas pelo Ministério da Saúde. Além disso, solicitamos que seja informado qual é o setor e o responsável pela Vigilância Epidemiológica do município que está conduzindo o caso, com nome do cargo e forma de contato, garantindo que a Associação Barra Bicho seja mantida integralmente informada sobre todos os procedimentos adotados.
Por fim, solicitamos também o envio posterior de relatório completo das providências implementadas, para fins de acompanhamento e transparência, tendo em vista a relevância da prevenção e do controle da raiva para a proteção da coletividade.”
Caso seja confirmada a presença do vírus, este poderá ser o primeiro registro de raiva animal no município em muitos anos, o que reforça a urgência de medidas de bloqueio sanitário e vacinação nos bairros afetados. A reportagem seguirá acompanhando o caso e atualizará as informações assim que a Vigilância Epidemiológica se pronunciar oficialmente.









