Um homem de 29 anos foi preso em flagrante nesta terça-feira (26) em Barra Velha (SC), após denúncias e diligência que constataram a prática de maus-tratos a animais com requintes de crueldade.
Segundo o delegado Willer Lima, responsável pelo caso, o suspeito será apresentado em audiência de custódia no prazo de até 24 horas após a prisão, momento em que a Justiça deve decidir se ele permanece detido ou responderá em liberdade. Enquanto isso o suspeito aguarda custodiado no presídio de Barra Velha.
A prisão foi realizada por policiais militares com apoio da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema), no bairro Vila Nova, após denúncias indicarem que o homem capturava cães e gatos de rua, matava os animais e se alimentava de suas carnes. Também foram encontrados restos de ratos em sua residência. A ocorrência foi inicialmente encaminhada à Central de Flagrantes de Itajaí.
Conforme relatou o delegado, a mãe do suspeito confirmou os fatos e informou que o filho guardava partes dos animais na geladeira. Durante a abordagem, o homem apresentou resistência, entrou em luta corporal com os policiais e precisou ser algemado para garantir a segurança da equipe e dele próprio.
“Ele foi autuado em flagrante por maus-tratos a animais consumado, com base no artigo 32, §1º-A e §2º da Lei de Crimes Ambientais. Trata-se de crime que não permite fiança na delegacia, pois a pena varia de dois a cinco anos de reclusão”, explicou o delegado Willer Lima.
Ainda segundo Lima, o flagrante ainda estava sendo processado no sistema até o fim da tarde desta terça-feira, e o homem não possuía passagens anteriores pela polícia. Não há, até o momento, informações oficiais sobre possíveis transtornos mentais ou tratamentos psicológicos. O interrogatório será acessado apenas pelas partes envolvidas (advogado, Ministério Público e juiz).
A Fundema elaborará um auto de infração ambiental e encaminhará um relatório técnico à Polícia Civil. Já o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que acompanha o homem, também seguirá monitorando o caso.
O presidente da Fundema, Kaiann Barentin, detalhou que a denúncia partiu de uma profissional do próprio CAPS. Ao chegar à residência, os agentes encontraram uma cena perturbadora: carne de origem animal em uma frigideira, restos no lixo e partes congeladas de cães, gatos e ratos.
A mãe do suspeito relatou ainda que ele teria o hábito de se alimentar de carne desses animais há pelo menos quatro anos, embora a polícia investigue se o comportamento ocorre há mais tempo — há relatos de vizinhos e conhecidos indicando a prática há cerca de dez anos. Ela também disse que o filho chegou a convidar familiares para compartilhar as refeições, mas sempre foi recusado.
Segundo o delegado Lima, o número de animais envolvidos será levado em conta pelo juiz na dosimetria da pena, podendo agravar a punição. Como a prisão foi em flagrante e houve materialidade clara no local, não será instaurado inquérito policial adicional — o suspeito será processado diretamente pelos crimes constatados na ação.
A ONG de proteção animal Associação Barra Bicho também se manifestou oficialmente na ouvidoria da Fundema, solicitando providências e apoio para impedir novos episódios semelhantes.
“Nosso objetivo imediato foi cessar a prática e garantir a prisão do envolvido. Agora, seguimos atuando para que a Justiça seja feita e para prevenir novos episódios de crueldade”, reforçou Barentin.
A situação mobilizou diferentes setores da cidade e causou comoção nas redes sociais. A audiência de custódia, prevista para ocorrer até quarta-feira (27), deve esclarecer se o suspeito continuará preso preventivamente.








