BIGUAÇU (SC) – O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) realizou, na tarde desta segunda-feira (16), a captura de uma cobra-coral verdadeira do gênero Micrurus dentro de uma instituição de ensino superior no município de Biguaçu, na Grande Florianópolis. A ocorrência foi registrada por volta das 15h.
De acordo com os bombeiros, a equipe foi acionada após a serpente ser avistada no interior do campus universitário. A guarnição utilizou equipamentos de proteção e ferramentas específicas para o manejo seguro do animal, evitando riscos à comunidade acadêmica e garantindo a preservação da espécie.
Após a captura, a cobra foi removida do local e posteriormente solta em uma área de habitat natural isolada, longe da presença humana.
O CBMSC reforça que, ao encontrar serpentes, a população deve manter distância e nunca tentar tocar ou capturar o animal. Em caso de avistamento em áreas urbanas, a orientação é acionar o telefone de emergência 193.
Cobra-coral verdadeira: riscos da picada e importância médica
A cobra-coral verdadeira pertence ao gênero Micrurus e é considerada uma das serpentes mais venenosas do Brasil. Seu veneno possui ação neurotóxica, ou seja, afeta diretamente o sistema nervoso.
Apesar da aparência pequena e do comportamento geralmente pouco agressivo, a picada pode provocar envenenamento grave se não houver atendimento médico rápido.
Principais sintomas da picada
Entre os efeitos mais comuns do envenenamento estão:
- dor e formigamento no local da mordida
- queda das pálpebras (ptose palpebral)
- visão dupla (diplopia)
- dificuldade para engolir ou falar
- salivação excessiva
- fraqueza muscular progressiva
- dificuldade respiratória
Nos casos mais graves, o veneno pode causar paralisia muscular e insuficiência respiratória, quadro que pode levar à morte se o tratamento não for realizado rapidamente com soro antiofídico. (SpringerLink)
Números de acidentes com cobra-coral no Brasil
Embora muito venenosa, a cobra-coral verdadeira é responsável por uma pequena parcela dos acidentes com serpentes no país.
- O Brasil registrou 32.514 acidentes com serpentes em 2023, segundo o Ministério da Saúde. (Serviços e Informações do Brasil)
- As picadas de corais verdadeiras representam menos de 1% dos casos registrados, devido ao comportamento discreto da espécie e à dificuldade de inocular o veneno. (SpringerLink)
- Em Santa Catarina, por exemplo, 13 acidentes envolvendo corais verdadeiras foram registrados em 2023, dentro de um total de 698 exposições humanas a serpentes. (NSC Total)
A maioria dos acidentes ofídicos no país é causada por jararacas, enquanto as corais respondem por uma fração muito menor das ocorrências.
Por que é difícil identificar a coral verdadeira
Um dos fatores que aumenta o risco é a semelhança entre a coral verdadeira e as chamadas “falsas-corais”, serpentes não perigosas que apresentam padrões de cores semelhantes.
Para especialistas, a diferenciação visual pode ser difícil para pessoas sem treinamento, pois existem diversas espécies com padrões de anéis vermelhos, pretos e amarelos.
Por isso, a orientação das autoridades é simples: toda serpente com padrão de anéis coloridos deve ser considerada potencialmente venenosa.
O que fazer em caso de picada
Os bombeiros e autoridades de saúde orientam que, em caso de acidente com serpente:
- manter a vítima em repouso
- procurar atendimento médico imediato
- não usar torniquetes
- não fazer cortes ou sucção no local da picada
- evitar qualquer tentativa de capturar o animal
A rapidez no atendimento hospitalar é fundamental para a aplicação do soro antiofídico e para evitar complicações.








