Na manhã desta terça-feira (20/01), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), coordenado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou a Operação “Entre Lobos II”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida em um sofisticado esquema interestadual de estelionato contra idosos, além de crimes de lavagem de dinheiro, patrocínio infiel e obstrução da Justiça.
A operação foi realizada em apoio à investigação presidida pela Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo. Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos municípios catarinenses de São Miguel do Oeste, Caibi, Chapecó, Lages, Itajaí e São José. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas, a pedido do Ministério Público.
Medidas cautelares e atuação de advogados investigados
A requerimento da Promotoria de Justiça, a Vara Estadual também impôs medidas cautelares diversas da prisão aos investigados. Entre elas estão o monitoramento eletrônico de quatro envolvidos, a suspensão do exercício de funções nas empresas investigadas e a proibição de solicitar ou receber valores por meio de alvarás judiciais em processos relacionados às empresas de fachada utilizadas pelo grupo criminoso.
Entre os alvos da operação estão quatro advogados. O cumprimento das ordens judiciais ocorreu na presença de representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conforme prevê a legislação.
Esquema criminoso e aprofundamento das investigações
A Operação “Entre Lobos II” é um desdobramento da primeira fase da investigação, deflagrada em julho do ano passado, quando a atuação do grupo passou a ser desvendada. Com o avanço das apurações, foi identificada uma complexa manobra de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça, arquitetada para garantir a continuidade do esquema criminoso e o recebimento de valores ilícitos provenientes de ações judiciais envolvendo vítimas da fraude.
As investigações apontaram ainda que, após a primeira fase da operação, um terceiro investigado assumiu a responsabilidade pelo escritório anteriormente vinculado a um dos principais alvos, dando continuidade às práticas ilícitas.
Também foi constatada a criação de uma nova empresa de fachada, ligada aos investigados, utilizada como instrumento para a prática de estelionatos contra idosos. O golpe consistia, principalmente, na compra de cessões de créditos judiciais em ações bancárias, explorando a vulnerabilidade das vítimas — em sua maioria pessoas idosas.
Atuação interestadual e número de vítimas
A investigação revelou que a organização criminosa atuava de forma estruturada e reiterada, alcançando pelo menos 280 idosos em situação de vulnerabilidade. A primeira fase da Operação “Entre Lobos”, realizada em 22/07/2025, ocorreu simultaneamente em cinco estados da Federação: Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas.
Na deflagração da operação, o GAECO contou com o apoio da Polícia Civil, Polícia Militar de Santa Catarina e da Polícia Rodoviária Federal, reforçando o caráter integrado da ação.
Origem do nome da operação
O nome “Entre Lobos II” foi escolhido para refletir a gravidade e a natureza predatória dos crimes investigados. A denominação faz alusão ao abuso de confiança praticado por criminosos que extrapolavam a função de advogado, traindo a ética da boa advocacia ao se apropriarem, de forma fraudulenta, de valores pertencentes a seus próprios clientes — em sua maioria idosos e vulneráveis.
Além disso, o nome da operação presta homenagem a uma das vítimas, falecida durante o curso da investigação, de sobrenome “Wolf”, que remete ao termo “lobo” em inglês.
Próximos passos
Os materiais apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica, responsável pela realização de exames e emissão dos laudos periciais. As provas coletadas serão analisadas pelo GAECO para o prosseguimento das investigações, identificação de outros envolvidos e aprofundamento da apuração sobre a possível existência de uma rede criminosa ainda mais ampla.
A investigação tramita em sigilo e, conforme a publicidade dos autos for autorizada, novas informações poderão ser divulgadas.
Sobre o GAECO
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina, composta por integrantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. O grupo tem como missão a identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas em atuação no Estado.








