O que era para ser apenas mais um fim de tarde de domingo se transformou em horas de medo, perdas e incerteza para dezenas de famílias de São João do Itaperiú. Um forte temporal, acompanhado de rajadas de vento intensas, raios, chuva volumosa e até granizo em alguns pontos, atingiu o município no domingo (11), deixando um rastro de destruição, especialmente na localidade da Lagoinha, a mais afetada.
O portal danimeller.com esteve no local, acompanhou de perto a situação e conversou com moradores e produtores rurais que ainda tentam assimilar o tamanho do prejuízo deixado pela força da natureza. Histórias de desespero, trabalho de uma vida jogado ao chão e, ao mesmo tempo, gratidão por estarem vivos se misturam em cada propriedade visitada.
Diante do cenário crítico, a Prefeitura de São João do Itaperiú mobilizou imediatamente uma força-tarefa envolvendo Defesa Civil, secretarias de Obras, Agricultura e Assistência Social, além da Epagri, Bombeiros Voluntários, Celesc e outros parceiros.
Na manhã desta segunda-feira (12), o prefeito Rovâni Delmonego liderou uma comitiva que percorreu residências e propriedades rurais para levantar os danos e prestar apoio direto às famílias atingidas.

De acordo com um levantamento preliminar, os prejuízos já ultrapassam a marca de um milhão de reais. Dezenas de bananicultores tiveram perdas severas, em alguns casos quase totais, além de danos em casas, galpões, veículos, estufas, galinheiros e outras estruturas, muitas delas arrancadas ou destelhadas pela força do vento.
“Estamos acompanhando de perto a situação, visitando cada propriedade para entender a real dimensão dos prejuízos. É um momento extremamente difícil para muitos produtores e moradores”, destacou o prefeito Rovâni Delmonego. Segundo ele, desde os primeiros instantes após o temporal, o município se mobilizou. “O mais importante é que não tivemos vítimas, apenas danos materiais. Agora o foco é fazer o levantamento completo e buscar apoio junto ao Governo do Estado”, afirmou.

O município já entrou em contato com a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, e os dados serão encaminhados ao secretário estadual Mário Hildebrandt, visando a liberação de possíveis auxílios.
“Foi tudo ao chão”: produtores contam o drama vivido
O bananicultor Matheus Schappo, da região da Lagoinha, teve cerca de 13, das 22 hectares de banana danificados. Em entrevista ao Portal ele relembra o momento em que recebeu a ligação de um dos funcionário.
“Eu estava no centro da cidade quando ele me ligou dizendo que a casa dele tinha destelhado inteira, que estava molhando tudo dentro. Ele falou que em volta não sobrou nada de banana. Depois começaram a chegar os vídeos… ali caiu a ficha. Só aqui são mais de 16 mil plantas. O custo de uma safra hoje gira em torno de R$ 25 por planta. Só nessa área o prejuízo passa fácil dos R$ 350 mil, fora os danos nas casas e o que ainda vai aparecer”, relatou.

Já o morador Genésio Felício Gonçalves viveu momentos de tensão dentro de casa. “Começou por volta das cinco da tarde. O vento foi ficando cada vez mais forte e arrancando tudo. A garagem levantou e jogou para longe, o carro acabou sendo danificado um pouco. Graças a Deus ninguém se machucou”, contou. Ele destacou o apoio recebido da prefeitura logo após o ocorrido.

O produtor Jucelino Gonçalves, também bananicultor, estava fora do município quando o temporal atingiu a propriedade. “Quando cheguei, já estava tudo estragado. Ali embaixo deu uns 50% ou 60% de prejuízo no bananal, pra cima ainda estamos avaliando. Além disso, estamos sem energia desde ontem. Muitos danos foram em postes, relógios e materiais que são de responsabilidade do consumidor, o que dificulta ainda mais a situação”, explicou.
Trabalho de uma vida interrompido
Na área urbana da Lagoinha, a faccionista Laureci Farias teve a casa e o local de trabalho severamente afetados. No momento do temporal, ela produzia peças de roupa. “Prejuízo de mais de R$ 10 mil, fácil. Molhou muita malha que não tem como recuperar. Se usar, vira peça de segunda. Ficamos sem luz, sem água, tivemos que chamar eletricista por conta própria. Mas o mais importante é que ninguém se feriu”, disse, emocionada.

Um dos casos mais impactantes é o do agricultor Alcione José Schuh, que trabalha com cultivo hidropônico de alface, rúcula, cebolinha e morango. O prejuízo estimado chega a R$ 400 mil. O barracão galvanizado e as estufas de alumínio foram completamente destruídos.
“Nós tínhamos acabado de colher e fomos para casa. Pouco depois o vento estourou tudo. Os cabos de aço arrebentaram, a estufa veio abaixo. Se alguém estivesse ali embaixo, teria sido uma tragédia. Em casa, tivemos que segurar as portas, o vento era muito forte. Perdemos tudo”, relatou.

União e solidariedade em meio à destruição
A diretora da Defesa Civil municipal, Cheila dos Santos, explicou que as primeiras ações foram emergenciais. “Assim que o temporal cessou, nossas equipes, junto com os Bombeiros Voluntários, atenderam as ocorrências mais urgentes. Cinco residências foram as mais afetadas, com cerca de 70% de danos. Nenhuma família ficou desabrigada. Entregamos lonas e agora seguimos com o levantamento detalhado, principalmente na agricultura”, afirmou.
A Secretaria de Obras atuou na limpeza de vias, retirada de árvores, desobstrução de estradas e reposição de macadame, garantindo a segurança e o acesso às comunidades. Os Bombeiros Voluntários, sob comando de Rodrigo Caetano, também tiveram atuação fundamental, com distribuição e instalação de lonas, além do corte de árvores.
O vereador Douglas de Jesus também esteve nas áreas atingidas, colocando a mão na massa e auxiliando moradores e produtores no que foi possível. “Nesse momento, toda ajuda é bem-vinda. É hora de união, de estar ao lado das famílias que perderam tanto e mostrar que elas não estão sozinhas”, destacou.

Reconstrução vai levar tempo, mas a esperança permanece
Os alertas meteorológicos emitidos pela Defesa Civil de Santa Catarina no domingo reforçam a importância do monitoramento e da resposta rápida, mas nada prepara quem vive do campo ou do próprio trabalho para perdas tão grandes.
Agora, começa um novo desafio: reerguer o que foi destruído. A reconstrução será lenta, exigirá tempo, apoio e muita força dos moradores e produtores, que terão meses — ou até anos — para reaver os prejuízos acumulados em poucas horas de temporal.
A Prefeitura de São João do Itaperiú segue acompanhando a situação e reforça que todas as famílias afetadas estão recebendo atendimento e suporte. Em meio à dor, a presença da força-tarefa, o trabalho conjunto e a solidariedade da comunidade surgem como sinais de esperança para quem, mesmo com tudo no chão, insiste em seguir em frente.









