Rodrigo Francisco Caetano, comandante dos Bombeiros Voluntários de São João do Itaperiú (SC) e presidente da Associação Nacional de Técnicos em Proteção e Defesa Civil, acaba de lançar o livro “A Arte da Gestão de Riscos e Gestão de Desastres”, resultado de dois anos de trabalho e décadas de experiência em campo.
A obra é, segundo ele, uma tentativa de mudar a cultura da reação tardia pela cultura da prevenção e do preparo, e, sobretudo, uma denúncia clara: a má gestão em Defesa Civil está custando vidas no Brasil.
Disponível em formato digital por R$ 19,90 no site www.resgateecombate.com.br, o livro também será impresso em edição limitada com 50 exemplares físicos.
Da prática à escrita: histórias de quem vive a linha de frente
Rodrigo Caetano traz em sua bagagem a atuação direta em desastres como Brumadinho (MG), Teresópolis (RJ), Morro do Baú (SC) e Presidente Getúlio (SC). É bombeiro voluntário há 19 anos, com formação técnica em Segurança do Trabalho, e em Defesa Civil, atualmente cursa Engenharia Ambiental e Sanitaria e Gestão Pública. Atuou em diversas frentes nacionais e internacionais, como parte da equipe especializada Arcanjo.
“O que me motivou a escrever esse livro foi ver gente morrendo quando não precisava. Uma gestão de riscos eficiente pode ser a diferença entre a vida e a morte”, afirma Rodrigo. Em um dos relatos mais marcantes, ele lembra de uma jovem no Rio Grande do Sul que, prestes a morrer afogada, se despediu da família por telefone. “Isso me partiu o coração. Mas também me deu mais força para estudar, ensinar e cobrar.”
Crítica à política pública: “DJs e taxistas ocupam cargos técnicos”
Sem meias palavras, Rodrigo critica duramente a prática comum em muitos municípios brasileiros: a nomeação política de pessoas sem capacitação técnica para cargos de diretor de Defesa Civil.
“Já colocaram taxistas, DJs… Nada contra essas profissões, mas é como colocar um motorista para fazer cirurgia. O resultado é tragédia. O cargo de diretor de Defesa Civil é técnico e salva vidas. Quando é tratado como favor político, quem paga o preço é o povo.”
Segundo ele, essa prática é agravada pela ausência de concursos públicos para o setor e pela falta de fiscalização sobre os municípios. “Se houver um desastre e morrerem pessoas, o prefeito e o diretor de Defesa Civil têm que ser responsabilizados. Eles não fizeram o dever de casa.”
Livro é manifesto pela prevenção e empatia
Mais do que um manual técnico, “A Arte da Gestão de Riscos e Gestão de Desastres” é, segundo a nota da editora, um manifesto pela empatia, pela ação comunitária e pela valorização do conhecimento técnico.
A obra discute temas como:
• Conceitos básicos de risco e desastre, com analogias acessíveis;
• Legislação e estrutura federativa da Defesa Civil;
• Estratégias sustentáveis de mitigação e prevenção;
• Uso de tecnologias como drones e sistemas de informação geográfica (SIG);
• Educação comunitária e a importância da empatia na gestão de emergências.
Com histórias reais e micro-relatos, o livro humaniza o conteúdo técnico, tornando-o acessível não apenas a profissionais da área, mas também a educadores, estudantes, gestores públicos e qualquer cidadão interessado em proteger sua comunidade.
A importância da formação técnica
Rodrigo destaca com orgulho sua formação no primeiro curso técnico de Proteção e Defesa Civil do Brasil, no Instituto Federal Catarinense, Campus Camboriú (IFC). Ele se refere à coordenadora Nacional do curso, professora Cleonice Beppler, como sua mentora e inspiração para seguir lutando por uma política pública mais séria e técnica.
“Ela é uma visionária da Defesa Civil. Me ensinou que prevenir é salvar vidas. Precisamos levar esse conhecimento para dentro das escolas, das comunidades e, principalmente, para os gabinetes de prefeitos.”
Tragédias brasileiras que poderiam ter sido evitadas
Rodrigo acredita que muitas das maiores tragédias do país poderiam ter sido minimizadas — ou até evitadas — se houvesse gestão técnica, planejamento e respeito à ciência. Ele cita como exemplo:
• Enchentes no Rio Grande do Sul (2024 e 2025) – Milhares de pessoas desabrigadas, dezenas de mortes e falta de comunicação eficiente entre os órgãos.
• Brumadinho (2019) – 270 mortes após rompimento de barragem da Vale. Falhas no monitoramento e na prevenção foram comprovadas.
• Deslizamentos em Teresópolis e Nova Friburgo (2011) – 918 mortos. Ausência de plano de contingência e ocupação desordenada de áreas de risco.
• Enchentes em Ilhota e no Morro do Baú (2008) – Centenas de vítimas em regiões já mapeadas como de alto risco.
• Desabamentos na Muzema (Rio de Janeiro, 2019) – Prédios irregulares construídos sem fiscalização em área de risco.
“Não dá mais pra sermos pegos de surpresa”
Rodrigo encerra com um chamado à sociedade e aos gestores: “Nem sempre os bombeiros conseguem chegar a tempo. Mas se a comunidade estiver preparada, ela pode se salvar. O conhecimento técnico precisa ser democratizado. Defesa Civil começa na escola, no bairro, na associação de moradores.”
Serviço:
📘 Livro: A Arte da Gestão de Riscos e Gestão de Desastres
✍️ Autor: Rodrigo Francisco Caetano
💻 Onde comprar: www.resgateecombate.com.br – R$ 19,90 (versão digital) – https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/defesa-civil-a-arte-da-gestao-de-riscos-e-gestao-de-desastres/I101998921H
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