RODEIO (SC) — Um feminicídio seguido de suicídio chocou os moradores do município de Rodeio, no Vale do Itajaí, na madrugada desta terça-feira (30). O crime aconteceu em uma residência localizada na Rua Sílvio Scoz, no bairro São Pedro Novo, por volta das 5h. A vítima, Tatiane Kurth Cipriani, de 24 anos, foi encontrada sem vida no quarto da casa. O autor do crime, seu companheiro, Djeison Henrique Cipriani Bonacolsi, de 26 anos, foi socorrido ainda com sinais vitais, mas faleceu no hospital horas depois.
De acordo com informações da Polícia Militar e da Polícia Civil, o crime foi descoberto após o irmão de Tatiane receber, via WhatsApp, uma foto do corpo da jovem. A imagem teria sido enviada pelo próprio Djeison, o que levou o familiar a acionar imediatamente a polícia.
As equipes da PM deslocaram-se até o local e, ao chegarem à residência, encontraram portas e janelas trancadas. Apesar disso, era possível ver uma luz acesa no interior da casa. Diante da ausência de resposta às tentativas de contato verbal e da gravidade da denúncia, os policiais arrombaram a porta da cozinha para acessar o imóvel.
Dentro do quarto, os agentes localizaram Tatiane já em óbito, com múltiplas lesões causadas por arma branca, possivelmente golpes de faca. Ao lado dela, encontraram Djeison caído ao chão, portando uma espingarda e ainda com sinais vitais. Ele foi atendido no local por equipes do SAMU e do Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital OASE, em Timbó, onde faleceu pouco depois.
A Polícia Civil, o Instituto Geral de Perícias (IGP) e a Polícia Científica estiveram no local. Foram apreendidos uma espingarda, uma faca e os celulares de ambos, que agora passam por análise técnica como parte da investigação.
Feminicídio: violência de gênero que continua fazendo vítimas
A Polícia Civil, por meio do delegado Ismael Gustavo Timbó, confirmou que o caso está sendo investigado como feminicídio — quando o assassinato de uma mulher ocorre em contexto de violência doméstica ou por discriminação de gênero. “Trata-se de um crime gravíssimo, com evidências claras de violência doméstica. A atuação rápida da PM e a investigação em curso visam esclarecer todos os detalhes e motivações envolvidas”, declarou.
Casos como o de Tatiane não são isolados. Em 2024, o Brasil registrou mais de 1.400 feminicídios, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Santa Catarina também figura entre os estados com maior número de ocorrências desse tipo, refletindo um padrão de violência que muitas vezes se intensifica de forma silenciosa.
Saúde mental e prevenção: apoio psicológico ainda é insuficiente
A tragédia em Rodeio reforça a urgência de políticas públicas voltadas não apenas à repressão, mas também à prevenção da violência de gênero, com foco na assistência psicológica para vítimas e também para potenciais agressores. Especialistas alertam que o ciclo da violência, quando não interrompido por apoio profissional e social, pode evoluir para situações extremas como essa.
“A violência doméstica é frequentemente precedida por sinais de controle emocional, isolamento e manipulação. Quando não há intervenção adequada, esses padrões podem escalar para o feminicídio”, explica a psicóloga clínica e especialista em comportamento violento, Ana Lúcia Bernardes.
Ela ressalta que o acompanhamento psicológico de homens com histórico de comportamento abusivo ou emocionalmente instável é uma medida essencial que ainda é negligenciada. “Sem tratamento, as chances de reincidência ou agravamento da violência aumentam significativamente.”
Rede de apoio: como denunciar e buscar ajuda
A Polícia Civil reforça que qualquer pessoa pode e deve denunciar casos suspeitos de violência doméstica ou comportamentos abusivos. As denúncias podem ser feitas pelos telefones:
- 180 – Central de Atendimento à Mulher
- 190 – Polícia Militar
- Delegacia Virtual – disponível nos sites das Polícias Civis estaduais
- Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) – presentes em diversas cidades catarinenses
A Prefeitura de Rodeio lamentou profundamente a tragédia e manifestou solidariedade aos familiares das vítimas. A comunidade também se mobiliza em apoio aos parentes e amigos de Tatiane, que deixam um apelo: não silenciem diante da violência.
Se você está em situação de violência ou conhece alguém que esteja, procure ajuda. Violência doméstica é crime e precisa ser combatida com informação, denúncia e apoio.








