Santa Catarina — Em um dos mais relevantes debates sobre infraestrutura do estado em 2026, a proposta da rodovia Via Mar, que promete reduzir o tempo de viagem entre Joinville e a Grande Florianópolis de até 6 horas para cerca de 1 hora, ganha destaque, mas também críticas e questionamentos sobre prioridades e segurança viária.
O ambicioso plano de ligar o Norte ao Centro do litoral catarinense com uma estrada paralela à BR‑101, estendendo-se por aproximadamente 145 km e com velocidade máxima projetada de até 120 km/h, busca aliviar o intenso fluxo de veículos que atravessa Santa Catarina, principalmente durante a alta temporada turística e feriados prolongados.
A obra, estimada em até R$ 9,2 bilhões, deve ser executada por uma parceria público‑privada, com praças de pedágio previstas e trechos divididos em lotes para facilitação de licitação e execução.
Críticas e demanda por mais segurança
Apesar do entusiasmo do governo local pela criação da nova rodovia, vista como alternativa estratégica à saturada BR‑101, nem todos os representantes públicos aderiram à ideia sem ressalvas. A deputada estadual Paulinha (Podemos) tem se posicionado de forma crítica à atual situação da malha viária federal em Santa Catarina, especialmente no trecho norte.
Em audiências públicas recentes, a parlamentar classificou a rotina de acidentes e mortes na BR‑101 como um problema “endêmico” e defendeu que as demandas de segurança e melhorias estruturais na rodovia federal sejam tratadas com urgência, propondo inclusive abaixo‑assinados e mobilizações para pressionar por ações concretas do governo federal.
Paulinha tem destacado que, diante do número alarmante de sinistros e fatalidades ao longo da BR‑101 Norte, onde, segundo análises da Polícia Rodoviária Federal apresentadas em debates legislativos, as taxas de óbitos por 100 km superam em várias vezes a média nacional, as prioridades deveriam ser revistos e investimentos reforçados não apenas em obras paralelas, mas também na manutenção e adequação da rodovia já existente.
BR‑101: um histórico de acidentes
A BR‑101 em Santa Catarina acumula um histórico preocupante de acidentes graves, que vão desde colisões entre múltiplos veículos a mortes isoladas de motociclistas e pedestres atingidos por carros e caminhões. Casos recentes incluem acidentes com vítimas fatais em Barra Velha, Piçarras, Araquari e outras ocorrências que mobilizaram equipes de resgate, evidenciando os riscos contínuos enfrentados por quem trafega pela rodovia.
Organizações e representantes do setor de transporte também alertam que a rodovia não oferece condições ideais de fluidez e segurança, com tráfego intenso e frequentemente congestionado, o que pode contribuir para o elevado número de sinistros registrados na região.
O que muda com a Via Mar?
O projeto da Via Mar apresenta como principais benefícios esperados:
- Redução significativa no tempo de deslocamento no trecho entre Joinville e Florianópolis.
- Alívio do tráfego na BR‑101, que hoje opera perto da capacidade máxima em muitos trechos.
- Potencial melhora no escoamento de cargas e na logística regional.
- Estímulo ao turismo e à economia, com rotas mais ágeis para visitantes e moradores.
O projeto ainda prevê o início das obras a partir do primeiro semestre de 2026, com trâmites licitatórios e execução de lotes planejados de forma faseada, o que pode permitir a operação parcial da estrada antes da conclusão total de todos os segmentos.
Debate e próximos passos
O embate entre aqueles que veem a Via Mar como uma resposta necessária à saturação da BR‑101 e os que cobram mais atenção às demandas imediatas de segurança e manutenção da rodovia federal deve continuar ao longo dos próximos meses, especialmente com a abertura dos editais de licitação e discussões públicas nas assembleias e órgãos federais.
A expectativa é que, à medida que o projeto avance, mais dados sejam apresentados sobre impactos viários, ambientais e econômicos da nova estrada.
Enquanto isso, a população e entidades representativas do setor se mantêm atentas, buscando diálogo com autoridades e soluções que possam tornar as estradas catarinenses mais seguras e eficientes para todos os usuários.








