A Receita Federal apreendeu R$ 1,55 bilhão em mercadorias irregulares em 2025 na 9ª Região Fiscal, que abrange os estados do Paraná e de Santa Catarina. O valor corresponde a 37,2% de tudo o que foi apreendido no Brasil no período, que totalizou R$ 4,19 bilhões, reforçando a relevância estratégica da região no combate ao contrabando, ao descaminho e à pirataria.
O resultado superou em 18% a meta estipulada para a região, que era de R$ 1,322 bilhão, e ficou 5,7% acima do registrado em 2024. Os meses com maior volume de apreensões foram dezembro (R$ 157,15 milhões), fevereiro (R$ 148,88 milhões) e agosto (R$ 147,51 milhões).

Eletroeletrônicos puxam crescimento
Os eletroeletrônicos, incluindo celulares, foram o principal destaque do ano. As apreensões desse tipo de mercadoria cresceram 17,8% em relação a 2024, alcançando R$ 450 milhões. Desse total, 38% foram apreendidos pela Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, uma das principais portas de entrada de produtos irregulares no país.
No Paraná, os eletroeletrônicos lideraram o ranking de apreensões, somando R$ 421,34 milhões. Em seguida aparecem os cigarros e produtos similares, com R$ 334,25 milhões. No total, o estado concentrou R$ 1,257 bilhão em mercadorias retidas ao longo do ano.
Em Santa Catarina, as apreensões de eletroeletrônicos chegaram a R$ 28,84 milhões, enquanto cigarros e similares totalizaram R$ 16,37 milhões. O item de maior valor no estado, contudo, foram os veículos, com R$ 38,14 milhões. O volume total apreendido em SC atingiu R$ 302,17 milhões, representando um aumento expressivo de 47,4% em relação a 2024.

Mais operações em campo
Ao longo de 2025, a Receita Federal realizou 5.061 operações na 9ª Região Fiscal, um crescimento de 1,7% em comparação ao ano anterior. As ações envolveram diferentes frentes de fiscalização.
As operações com foco em veículos somaram 1.541 ações, sendo 1.485 no Paraná e 56 em Santa Catarina. Em estradas vicinais, foram realizadas 774 operações — 471 no PR e 303 em SC. Já nos portos, ocorreram 625 operações ao longo do ano, com destaque para a atuação integrada em áreas portuárias estratégicas.

Drogas: toneladas retiradas de circulação
As retenções de drogas mantiveram um ritmo elevado em 2025. Ao todo, foram apreendidas 3,27 toneladas de cocaína na região. A Equipe de Repressão Portuária da 9ª Região Fiscal, sediada em Itajaí (SC) e com atuação nos portos do Paraná e de Santa Catarina, foi responsável por reter 2,47 toneladas desse total.
Nos portos catarinenses, foram apreendidos 638 quilos de cocaína, enquanto nos portos paranaenses o volume ultrapassou 1,8 tonelada. A equipe também reteve 468 garrafas de refrigerante com cocaína diluída, evidenciando a sofisticação dos métodos utilizados pelas organizações criminosas.
A apreensão de maconha superou 45 toneladas em 2025. A fronteira com o Paraguai concentrou o maior volume, com 42% do total, o equivalente a 19,16 toneladas.

Veículos retidos e prisões
Em relação aos veículos utilizados em atividades ilícitas, houve aumento nas retenções. Em 2025, foram retidos 5.446 veículos, entre automóveis, motocicletas, ônibus e caminhões. Em 2024, o número havia sido de 4.965.
No campo penal, foram efetuadas 611 prisões em flagrante por crimes como contrabando, descaminho, tráfico de drogas, medicamentos, armas e munições. O número é praticamente estável em relação a 2024, quando foram registradas 614 prisões.
Casos que marcaram o ano
Diversas apreensões chamaram a atenção em 2025, muitas delas realizadas em conjunto com outros órgãos de segurança, como a Polícia Federal e as Polícias Militares.
Entre os casos inusitados, destacam-se duas apreensões de oliveiras centenárias vindas da Argentina, realizadas em março, em Santo Antônio do Sudoeste, e em abril, em Cascavel (PR). A importação desse tipo de mercadoria depende de autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), devido aos riscos à saúde e ao meio ambiente. Cada árvore pode alcançar R$ 150 mil no mercado interno e, após o perdimento, elas estão sendo destinadas a instituições de ensino para pesquisa e paisagismo.
Em outubro, uma aeronave monomotor modelo RV-10 foi apreendida no Aeroporto Costa Esmeralda, em Porto Belo (SC), transportando 571 celulares iPhone avaliados em mais de R$ 3 milhões. O piloto e um ajudante foram presos em flagrante por descaminho. O avião havia partido da região de Foz do Iguaçu.
Outro destaque ocorreu em junho, em Cascavel (PR), quando um caminhão procedente da fronteira com a Argentina foi apreendido transportando cerca de 5 mil litros de azeite de oliva de origem estrangeira, sem comprovação de importação regular. A carga foi avaliada em aproximadamente R$ 400 mil e tinha como destino o estado de São Paulo.
O contrabando de cabelos humanos também ganhou relevância. Em janeiro, 188 quilos do produto foram apreendidos em Londrina (PR), avaliados em R$ 380 mil. Em agosto, outra apreensão ocorreu em Foz do Iguaçu, com 15 pacotes avaliados em R$ 124 mil. Após os trâmites legais e sanitários, os cabelos são doados a instituições de assistência social e hospitalar.

No combate às drogas, operações de grande porte marcaram o ano. Em dezembro, seis toneladas de maconha foram apreendidas em Dois Vizinhos (PR), escondidas em um caminhão leiteiro monitorado por equipes da Receita Federal. No mesmo mês, uma carreta com compartimento oculto foi interceptada em Porecatu (PR), transportando 4,15 toneladas de maconha prensada e 8,5 quilos de skunk. Em outubro, outra ação na região de Jaguapitã (PR) resultou na apreensão de 4,18 toneladas de maconha escondidas em um caminhão com placas do Paraguai.
O tráfico de animais silvestres também esteve presente. Em outubro, na Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu, foram apreendidos dez lagartixas-de-crista, 12 jacarés, uma cobra sucuri e uma cobra píton, todos vivos e transportados ilegalmente em mochilas. O passageiro, que vinha do Paraguai, admitiu a intenção de revenda dos animais no mercado ilegal brasileiro.
No Porto de Itapoá (SC), uma das maiores apreensões de cocaína do ano surpreendeu pelo método empregado. Foram encontrados 480 quilos da droga em um fundo falso de um contêiner carregado com laranjas, que tinha como destino Portugal. A cocaína estava distribuída em 434 sacos, e a descoberta contou com o apoio de agentes caninos da Receita Federal.
Integração no combate ao crime
As ações realizadas ao longo de 2025 evidenciam a importância da cooperação entre a Receita Federal e outras forças de segurança no enfrentamento ao contrabando, ao tráfico de drogas e a crimes transfronteiriços. Segundo o órgão, os resultados reforçam o compromisso das autoridades em proteger a sociedade, a economia nacional e o meio ambiente, especialmente em uma região considerada estratégica pelas extensas fronteiras e pela intensa movimentação de mercadorias








