Brasília — Na manhã desta terça-feira (2), a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Intolerans, com o objetivo de reprimir e esclarecer uma série de ataques cibernéticos do tipo DDoS (negação de serviço) direcionados a parlamentares federais que manifestaram apoio ao PL 1904/2024 — apelidado de PL Antiaborto.
De acordo com a PF, “diversos sites de deputados federais foram alvo de ataques coordenados, resultando em instabilidade e períodos de indisponibilidade” — o que prejudicou a comunicação institucional e a atuação legislativa dessas autoridades.
Como parte da operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo (SP) e Curitiba (PR). A ação contou com apoio de parceiros estrangeiros via cooperação jurídica internacional.A PF informou que as investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos e garantir a responsabilização dos responsáveis pelos ataques.

Por que parlamentares que apoiam o PL foram os alvos
O alvo dos ataques foram deputados federais que assinaram ou declararam apoio ao PL 1904/2024, a proposta conhecida como PL Antiaborto — que prevê equiparar o aborto, quando realizado após 22 semanas de gestação, ao crime de homicídio.
Entre os signatários da proposta estão nomes como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), autor do projeto; Carla Zambelli (PL-SP); Paulo Bilynskyj (PL-SP); Julia Zanatta (PL-SC); Mário Frias (PL-SP); Nikolas Ferreira (PL-MG) — dentre outros parlamentares distribuídos por diferentes estados.
É importante observar, porém, que a PF não divulgou oficialmente os nomes dos deputados cujos sites teriam sido atacados.
O que se sabe sobre a investigação até agora
- A ofensiva foi classificada como ataque cibernético coordenado, utilizando técnica DDoS — que sobrecarrega servidores e torna sites indisponíveis.
- A PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão, em São Paulo e Curitiba.
- A ação contou com cooperação internacional para auxiliar nas investigações.
- A corporação afirmou que seguirá investigando para identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los judicialmente.

Repercussão
A operação coloca sob novo foco as crescentes ameaças e vulnerabilidades no ambiente digital, especialmente quando parlamentares decidem apoiar projetos polêmicos como o PL Antiaborto. A PF manifestou preocupação diante desses atos de sabotagem contra a democracia e destaca a necessidade de promover segurança cibernética mesmo no universo institucional.
Especialistas em segurança digital alertam que ataques DDoS dirigidos a sites de parlamentares não apenas comprometem a comunicação institucional — mas podem ser um indício de tentativas de intimidação, desinformação ou interferência em processos legislativos.
Para os deputados que assinam a proposta, o episódio reforça a tensão em torno do tema aborto no Brasil, e levanta questionamentos sobre liberdade de expressão, coação política e garantias de segurança para parlamentares que defendem pautas sensíveis.








