A Vigilância Epidemiológica de Barra Velha confirmou a coleta de material biológico de um cachorro com sintomas compatíveis com raiva, que morreu na quarta-feira (27) no bairro Itajuba. O material – especificamente o cérebro do animal – já foi enviado para análise laboratorial em Florianópolis, e o município aguarda o laudo que deve confirmar ou descartar a presença do vírus da raiva nos próximos dias.
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Angelita Lourenço, tranquilizou a população em entrevista à reportagem. “O material já foi coletado e está em análise em Florianópolis. Assim que sair o laudo, a gente vai divulgar. Enquanto isso, não podemos passar nenhuma outra informação ou fazer qualquer outra coisa porque temos que aguardar o resultado. Mas, graças a Deus, nenhum morador até o momento nos trouxe queixa de mordedura ou acidente agressivo”, afirmou Angelita.
Entenda o caso
O caso ganhou repercussão após vídeos enviados por moradores e pela ONG Barra Bicho mostrarem um cão de rua apresentando comportamentos anormais: o animal estava desorientado, andava em círculos, batia contra muros, salivava excessivamente e recusava alimentação. Diante da situação, uma moradora da região, identificada como Mariana, acolheu o animal em casa e buscou orientação veterinária.
Dois profissionais da área, consultados por vídeo, levantaram a suspeita de raiva. A situação do animal se agravou rapidamente, e ele veio a óbito durante uma tentativa de coleta de sangue por uma veterinária.
A ONG Barra Bicho acionou as autoridades de saúde e formalizou um protocolo na Ouvidoria da Prefeitura de Barra Velha, solicitando transparência nas informações e a adoção de medidas sanitárias previstas pelo Ministério da Saúde.
Nota oficial da Prefeitura
A Prefeitura de Barra Velha, por meio da Secretaria de Saúde e da Vigilância Epidemiológica, emitiu uma nota oficial confirmando a suspeita e informando que a coleta do material foi realizada imediatamente após a notificação.
“Ressaltamos que, até o momento, trata-se de uma suspeita, e o quadro apresentado pelo animal pode estar relacionado a diversas doenças neurológicas. O município aguarda o laudo oficial que irá confirmar ou descartar a presença do vírus da raiva”, diz o comunicado.
A administração municipal reforçou que, caso o resultado seja positivo, todas as medidas de contenção e bloqueio serão colocadas em prática, em conformidade com os protocolos do Ministério da Saúde. A prefeitura também alertou sobre a importância da vacinação dos animais de estimação, especialmente contra a raiva.
O que é a raiva e como prevenir
A raiva é uma doença viral grave, que afeta mamíferos e pode ser transmitida ao ser humano por meio da mordida, arranhão ou contato com a saliva de um animal infectado. Uma vez iniciados os sintomas, a doença é quase sempre fatal. Por isso, a prevenção é fundamental.
Entre os sintomas da raiva em animais estão:
- Agressividade ou apatia súbita;
- Salivação intensa;
- Dificuldade de locomoção;
- Desorientação e convulsões.
A população é orientada a não se aproximar de animais com comportamento anormal e a comunicar imediatamente a Vigilância Epidemiológica. Em caso de contato direto com saliva ou mordida de um animal suspeito, deve-se lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico o quanto antes.
Medidas a serem adotadas em caso de confirmação
Se o exame confirmar a presença do vírus da raiva, a Prefeitura e os órgãos competentes deverão:
- Realizar bloqueios sanitários na região afetada;
- Intensificar a vacinação antirrábica nos bairros próximos;
- Monitorar e isolar casos suspeitos;
- Divulgar orientações e alertas públicos à população;
- Investigar possíveis animais ou pessoas que tiveram contato com o cão infectado.
A coordenadora Angelita Lourenço reafirma que, por ora, não há motivo para pânico. “A Vigilância está atenta e tomando todas as providências. A população pode ficar tranquila: assim que tivermos o resultado, vamos divulgar de forma transparente e oficial”, garantiu.
A reportagem continuará acompanhando o caso e atualizará as informações assim que o laudo for emitido pelo laboratório de referência em Florianópolis.









