Gaspar (SC), 13 de agosto de 2025 — A Polícia Civil de Santa Catarina atualizou nesta quarta-feira as informações sobre o feminicídio que vitimou Dalva Paterno da Silva, de 56 anos, assassinada no último dia 4 em Gaspar, no Vale do Itajaí.
O ex-marido da vítima, de 58 anos, confessou ter cometido o crime utilizando uma picareta, cuja localização foi revelada durante o interrogatório. A arma foi encontrada na casa de uma das filhas do suspeito e será submetida à perícia.

De acordo com o delegado Filipe Martins, que conduz o inquérito, o homem prestou depoimento nesta quarta-feira (13) e assumiu a autoria do homicídio. “Foram ouvidas oito testemunhas até agora e a investigação segue com base nos exames periciais e nos depoimentos colhidos”, destacou.
A vítima foi morta dentro de casa, na rua Olga Bohn, mesmo estando amparada por uma Medida Protetiva de urgência expedida pela Justiça. O crime chocou Santa Catarina e levantou um alerta sobre a escalada da violência contra a mulher no Estado — Dalva foi a sexta vítima de feminicídio registrada no estado em apenas sete dias, e até aquela data.
A polícia prendeu o suspeito em menos de 48 horas após o crime, graças ao trabalho integrado entre a Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica, além do apoio do helicóptero Águia e das equipes do Tático de Blumenau. A prisão foi possível após familiares informarem que o homem teria retornado à casa da vítima, permitindo a ação rápida das autoridades.

Não é só sobre punir: é sobre prevenir novos crimes
Casos como o de Dalva escancaram a urgência de políticas públicas mais eficazes na prevenção da violência doméstica e no acompanhamento psicológico e social dos agressores. Ainda que a prisão seja um passo necessário diante de crimes tão graves, especialistas e autoridades reforçam que a responsabilização precisa vir acompanhada de medidas que impeçam a reincidência.
“Mais importante do que punir é evitar que esse homem cometa o mesmo crime no futuro, com outras mulheres. Para isso, é necessário que ele passe por profissionais capacitados, faça terapia, participe de cursos e programas de reeducação. Ressocializar também é papel do sistema de Justiça”, afirmou uma profissional da área ouvida pela nossa reportagem.
O delegado lembrou ainda que o suspeito já havia sido denunciado anteriormente por violência doméstica, e que a vítima vivia com medo, mesmo com o respaldo de uma medida judicial. Isso reforça a necessidade de reforçar o monitoramento de agressores reincidentes e investir em políticas de suporte às vítimas em situação de risco.
A importância de pedir ajuda a tempo
A Polícia Civil e demais autoridades reiteram a importância de que as vítimas denunciem agressões e ameaças desde os primeiros sinais. A denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência.
📞 Canais de denúncia:
- 180 – Central de Atendimento à Mulher (24 horas)
- 190 – Polícia Militar
- 181 – Disque Denúncia (anônimo)
- Delegacias de Polícia Civil e Delegacias da Mulher
“É fundamental que a sociedade acolha essas mulheres. Nenhuma vítima pode se sentir sozinha. E o Estado tem a obrigação de garantir que quem comete violência contra a mulher seja responsabilizado, tratado e acompanhado, para que esses crimes deixem de acontecer”, concluiu a profissional.
Um alerta para Santa Catarina
O aumento nos casos de feminicídio em Santa Catarina tem preocupado as forças de segurança e os órgãos de Justiça. No mesmo período em que Dalva foi assassinada, duas outras mulheres denunciaram agressões graves em Brusque, reforçando o alerta para a urgência de ampliar a rede de proteção à mulher no estado.
Dalva Paterno da Silva deixa três filhos e uma família marcada pela dor da perda. O processo segue em fase de conclusão e será encaminhado ao Poder Judiciário assim que os laudos periciais forem finalizados.








