A cidade de Barra Velha no litoral Norte de Santa Catarina, tem, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 13, pela Secretaria de Saúde, 245 casos de dengue positivos, outros 48 aguardando resultado, 110 focos e quatro pessoas internadas em recuperação pela doença.
A equipe de reportagem do Portal danimeller.com esteve nessa tarde no Pronto Atendimento (PA), o único da cidade localizado no Centro. A situação é lamentável: corredores lotados e pessoas sentadas no chão à espera de atendimento.

Dos pacientes procurados pela reportagem, grande maioria está com suspeita de dengue ou Covid, e a situação piora ainda mais porque segundo uma fonte, os testes de dengue disponibilizados pelo município são insuficientes para atender tamanha demanda.

A informação foi confirmada pelo secretário de Saúde Rogério Pinheiro. Segundo ele, ‘70% dos municípios catarinenses está sem o teste devido atraso do fornecedor’. “O navio está atracado em Santos [São Paulo], sem poder descarregar e não sabemos o motivo”.

Enquanto isso, na incerteza do diagnóstico correto, as pessoas vão sendo medicadas preventivamente e acabam retornando para casa com um resultado inconclusivo e aguardam pela sorte.
CONSCIÊNCIA – A proliferação da dengue é responsabilidade de todos. Manter quintais limpos, não armazenar água em locais impróprios e fazer o descarte correto dos lixos. E cabe a prefeitura a orientação e campanhas de prevenção.
E falando em responsabilidade, o executivo até tenta fazer a parte dele, com limpezas preventivas, mas a pequena cidade que deveria ser exemplo de desenvolvimento, anda na contramão quando o assunto é saneamento básico.
Os bairros Quinta dos Açorianos e Itajuba são dois dos exemplos de ‘Valas a Céu Aberto’. Nas redes sociais, as críticas quanto às dezenas de valas abertas na cidade, são inúmeras.

Segundo o internauta Paulo Camiliano: “Enquanto tiver valas abertas em nossa cidade haverá mosquitos da dengue. Venho denunciando a Ouvidoria da prefeitura há muitos anos. Nada fizeram nesta última administração. Tudo piorou e cito o exemplo do descaso à rua Leopoldo Olegário no Centro. Ali não tinha valas, foi a prefeitura que abriu valas imensas. Água parada, um verdadeiro criadouro de mosquitos. Lamentável”, denunciou.

EMERGÊNCIA – Conforme a Vigilância Epidemiológica em Barra Velha, a situação de emergência em saúde pública foi decretada em virtude ‘ao atual cenário epidemiológico na cidade’ em razão da infestação pelo mosquito aedes aegypti.
DADOS – Desde o dia 1º de janeiro de 2024 até o dia de hoje, já são 245 casos confirmados. Os testes para a dengue estão sendo feitos por exame laboratorial. Nesse cenário 48 pessoas aguardam por seus resultados, emitidos pelo Laboratório Central do estado, LACEN/SC.
Denúncias de novos focos (locais com a presença de larvas ou do mosquito adulto) e prováveis criadouros (locais com acúmulo de água parada e limpa com potencial para se tornar um foco) podem ser feitas por Whatsapp no número 47 9 9638-1879.

Aedes aegypti se adapta e também passa a se reproduzir em água suja
Segundo entrevista dada ao Correio Brasiliense, Natalia Verza Ferreira, cientista, doutora em genética e biologia molecular e diretora da Oxitec do Brasil, a sociedade precisa redobrar a atenção quanto à dengue, “pois o Aedes aegypti tem se adaptado e descoberto novas formas de se reproduzir, inclusive em água suja, o que não ocorria há alguns anos”.

(crédito: Luis ROBAYO/AFP)
Para a doutora em genética e biologia molecular, além dos cuidados diários para evitar o acúmulo de água em lugares ou objetos que podem se tornar criadouros, “é preciso atualizar os protocolos de controle do Aedes aegypti descritos no Programa Nacional de Combate à Dengue (PNCD), incorporando soluções sustentáveis que já foram, inclusive, aprovadas para uso no Brasil, como o Aedes do Bem – inseto com genes autolimitantes que auxilia no controle do mosquito Aedes Aegypti de forma segura e ambientalmente sustentável”.
Segundo Natalia Verza Ferreira, é importante um esforço coletivo, que deve reunir a população, empresas e o poder público.
Os principais sintomas da dengue
A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, variando desde casos assintomáticos a quadros graves, inclusive óbitos. Nos casos sintomáticos pode apresentar três fases clínicas: febril, crítica e de recuperação.
A dengue pode evoluir para remissão dos sintomas, ou pode agravar-se, exigindo constante reavaliação e observação, para que as intervenções sejam oportunas e os óbitos não ocorram.
Febre alta — 38.5ºC
Dores musculares intensas
Dor ao movimentar os olhos
Mal-estar
Falta de apetite
Dor de cabeça
Manchas vermelhas no corpo.








