Bem provavelmente você talvez ainda não tenha ouvido a palavra ‘OVACE’. Apesar de incomum entre as pessoas que não trabalham na área de saúde ou com resgate, ela é muito comum e no Brasil, a OVACE, ou a ‘obstrução da via aérea por corpo estranho’ é a terceira maior causa de acidentes seguidos por morte, em crianças e lactentes.
E por sorte, as estatísticas com morte não aumentaram ainda mais devido a correta orientação prestada pela equipe de plantão do Corpo de Bombeiros Voluntários de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Na noite dessa quinta-feira, 19, por volta das 19h10, eles receberam um chamado de emergência envolvendo um recém nascido de apenas 35 dias.
O menino estava sem respirar depois de ter tido as ‘vias áreas obstruídas’, causada em sua grande maioria pela ‘aspiração de corpo estranho’, geralmente localizado na laringe ou traqueia e que pode ocorrer inclusive durante a amamentação.
Por meio da chamada feita ao número de emergência 193, o atendente que recebeu o pedido de socorro e a equipe por trás, conseguiu dar as devidas orientações aos responsáveis pela criança que mesmo do outro lado da linha conseguiram seguir corretamente as orientações até a chegada da equipe. Em seguida o bebê foi encaminhado à unidade médica para atendimento especializado.
OVACE – A obstrução da via aérea por corpo estranho (OVACE) é um acidente grave, súbito e potencialmente fatal, cuja gravidade depende principalmente do grau de obstrução da via aérea acometida.
Caso ocorra uma obstrução total ou subtotal da via respiratória, especialmente de laringe ou traqueia, a asfixia pode se tornar tão importante, que rapidamente leva ao óbito. Todavia, menores graus de obstrução ou a aspiração de objetos menores, com impactação nas regiões mais distais da árvore brônquica geralmente provocam sintomas mais brandos.
Diante de um paciente com OVACE, torna-se muito importante o rápido reconhecimento diagnóstico, uma vez que em todos os casos, o atendimento deve ser preciso, ágil e com calma a fim de recuperar a permeabilidade aérea o mais breve possível.
A OVACE pode ocorrer em qualquer fase da vida, porém é um diagnóstico muito mais frequente em crianças e idosos. Nos primeiros, pela curiosidade e reflexo de levar tudo à boca, por desconhecer riscos e nos idosos, muitas vezes decorre de um processo mastigatório ineficiente pelo uso de próteses dentárias inadequadas.
Já em adultos, a OVACE é rara, sendo relacionada à ingestão acidental de instrumentos de trabalho, como clipes, tachinhas e pregos (pequenos objetos do cotidiano facilmente apreendido entre os dentes) e durante momentos de inconsciência — anestesia geral, sedação, intoxicação, convulsões e distúrbios neurológicos que afetam a orofaringe.
Epidemiologia
Cerca de 80% dos casos de OVACE ocorrem em crianças, com um pico de incidência entre 1 e 3 anos. Nessa faixa etária, as crianças exploram o mundo através da via oral (possuem coordenação motora fina para colocar quaisquer pequenos objetos na boca), além de não possuírem dentição completa e consequentemente, não mastigarem os alimentos de forma completa.
A distribuição dos casos é discretamente maior em meninos do que em meninas, numa proporção de 2:1.
Estudos mostram que em 40% das ocorrências, envolvendo OVACE na faixa etária pediátrica, o objeto aspirado é uma semente, principalmente amendoim, milho e feijão. No entanto, fragmentos de brinquedos e acessórios também são relatados. A aspiração de bexigas e balões vazios é grave e muitas vezes fatal.
Manejo
O socorrista, diante de uma suspeita de OVACE, deve instaurar medidas terapêuticas compatíveis com o caso.
- Obstrução grave das vias aéreas em vítima consciente: em maiores de 1 ano, deve-se utilizar a manobra de Heimlich. Esta manobra gera um impulso abdominal que eleva o diafragma e aumenta a pressão na via aérea, forçando a saída de ar dos pulmões, com pressão suficiente para criar uma tosse artificial e expelir um corpo estranho. Em menores de 1 ano, o socorrista deve iniciar as manobras com cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas, até que ocorram sinais de desobstrução (choro ou tosse efetiva) ou o paciente fique inconsciente.

FONTE: google imagens
- Vítima gestante ou obesa: devem ser aplicadas compressões torácicas, ao invés de compressões abdominais. Se a vítima for menor que o socorrista, o mesmo deve posicionar-se de joelhos atrás da vítima e realizar a manobra de Heimlich.

FONTE: Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar – 2019
- Vítima adulta e inconsciente com OVACE: o socorrista deve apoiar a vítima cuidadosamente no chão e imediatamente ativar o serviço médico de emergência e, em seguida, iniciar a RCP. Cada vez que o socorrista abrir as vias aéreas para realizar as ventilações, o mesmo deverá olhar para o interior da cavidade oral; se o corpo estranho estiver visível, deverá ser removido cuidadosamente, evitando varredura digital às cegas e não retardando as manobras de RCP.
Mapa mental de OVACE









