De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias endividadas no país se manteve em 77,4% em setembro, mesmo valor registrado no mês anterior. No entanto, houve um aumento na porcentagem de inadimplentes, chegando a 30,2%, um acréscimo de 0,2 ponto percentual em relação a agosto e o maior nível em 10 meses.
A CNC destaca que, apesar de haver uma tendência de queda no endividamento, os indicadores de inadimplência continuam a aumentar. Cerca de três em cada dez pessoas endividadas afirmam ter algum compromisso em atraso, representando a maior proporção desde novembro de 2022. Além disso, o número de pessoas incapazes de pagar dívidas acumuladas de meses anteriores também atingiu o maior valor da série histórica, correspondendo a 13% do total de consumidores no país.
A pesquisa considera como dívidas aquelas relacionadas ao cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
O percentual de consumidores com dívidas atrasadas há mais de 90 dias alcançou 47,8% do total de inadimplentes, o maior valor desde o início da pandemia, em março de 2020.
Além disso, o comprometimento da renda com dívidas também apresentou crescimento nos últimos três meses, atingindo uma média de 30,1% do rendimento familiar, o maior valor desde janeiro deste ano.
A CNC justifica esses números ao mencionar que, embora a inflação tenha diminuído e o mercado de trabalho formal continue absorvendo pessoas com menor escolaridade, os juros elevados e o aumento do número de dívidas a pagar têm dificultado o pagamento dos compromissos em aberto por parte das famílias.
Em relação à distribuição por faixas de renda, observou-se um aumento na proporção de endividados entre os mais pobres, mas uma queda na classe média. É importante ressaltar que as famílias nessas faixas de renda terão seus CPFs desnegativados a partir deste mês, graças ao programa ‘Desenrola’.
No grupo com renda familiar de até três salários mínimos, o percentual de endividados subiu de 79,1% em agosto para 79,4% em setembro. Na classe média, com renda de três a cinco salários mínimos, a proporção de endividados caiu de 78,4% para 77,9%. Já no grupo de cinco a dez salários mínimos, houve uma redução de 75,4% para 74,3%. Por fim, no grupo com renda acima de 10 salários mínimos mensais, a parcela de endividados permaneceu estável em 74,9%.
Em relação à inadimplência, o grupo com renda familiar de até três salários mínimos registrou uma proporção de inadimplentes de 38,6% em setembro, um aumento em relação aos 37,9% de agosto. Na classe média, houve uma queda de 28,5% para 27,6%. No grupo de cinco a dez salários mínimos, houve um pequeno aumento de 21,9% para 22,1%. Já no grupo com renda acima de 10 salários mínimos, a porcentagem de inadimplentes subiu de 14,6% para 14,8%.
Entre as modalidades de dívidas mais utilizadas, o cartão de crédito continua liderando, citado por 86,2% dos entrevistados. Em seguida, estão os carnês (17,0%), crédito pessoal (9,1%), financiamento de carro (7,7%) e financiamento de casa (7,5%).
Fonte: Clickpb








