A busca por procedimentos estéticos e cirurgias plásticas tem crescido nos últimos anos, mas especialistas alertam que o sucesso de uma cirurgia não depende apenas da habilidade do cirurgião ou da tecnologia utilizada no procedimento. A avaliação pré-operatória e o acompanhamento adequado no pós-operatório são etapas fundamentais para garantir uma boa recuperação, minimizar riscos e alcançar os resultados esperados.
Segundo a fisioterapeuta dermatofuncional Aldeise Velame, especialista em pré e pós-operatório facial e corporal, muitos pacientes concentram toda a atenção na cirurgia e acabam negligenciando fases igualmente importantes do tratamento.
“Em um cenário ideal, o paciente deveria realizar uma avaliação pré-operatória com um profissional especializado para entender todo o processo de recuperação, receber orientações e até mesmo se adaptar aos equipamentos que serão utilizados após a cirurgia. Isso contribui diretamente para melhores resultados e uma recuperação mais tranquila”, explica.

Formada em Fisioterapia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Aldeise atua há 12 anos na área, possui especializações em Dermato Funcional e, nos últimos quatro anos, já acompanhou mais de mil pacientes em Santa Catarina. Atualmente, dedica-se principalmente ao pós-operatório facial, atendendo casos de cirurgias de face e pescoço.
Preparação antes da cirurgia pode fazer diferença no resultado final
Entre os exemplos citados pela especialista está a abdominoplastia associada à lipoaspiração. De acordo com ela, muitos pacientes ficam frustrados ao perceberem que o resultado esperado não foi alcançado integralmente, mesmo após o procedimento.

A explicação, em alguns casos, está na falta de preparação física adequada antes da cirurgia.
“Existem pacientes que realizam uma abdominoplastia e acreditam que a cirurgia sozinha resolverá tudo. Mas se não houver fortalecimento muscular e preparação prévia da região abdominal, o resultado pode não ser tão satisfatório a longo prazo. O pré-operatório ajuda justamente a preparar o corpo para receber esse procedimento”, destaca.
Pós-operatório vai muito além da drenagem linfática
Outro equívoco comum é acreditar que o pós-operatório consiste apenas em sessões de drenagem linfática.
Segundo Aldeise, o acompanhamento envolve uma série de técnicas e recursos terapêuticos que variam conforme o tipo de cirurgia e a fase da recuperação.
Entre os recursos utilizados estão microcorrentes, radiofrequência, laserterapia, terapias de liberação tecidual, higienização adequada dos pontos cirúrgicos e orientações individualizadas para cada paciente.

“Cada equipamento possui um momento correto de utilização. Não existe um protocolo único para todos. O tratamento precisa ser avaliado caso a caso, respeitando o processo de cicatrização e as necessidades específicas de cada paciente”, afirma.
A especialista ressalta ainda que o cumprimento das orientações recebidas durante o pós-operatório é decisivo para o sucesso da recuperação.
“Às vezes o paciente não utiliza corretamente uma faixa compressiva ou não segue as recomendações médicas e fisioterapêuticas. Pequenos descuidos podem comprometer o resultado final.”
Complicações podem ir além da estética
Entre as possíveis complicações decorrentes da ausência ou inadequação do acompanhamento pós-operatório estão fibroses, seromas, infecções e limitações funcionais.
O seroma, por exemplo, ocorre quando há acúmulo excessivo de líquido na região operada. Quando não identificado precocemente, esse líquido pode se encapsular e formar nódulos de difícil tratamento.

Já a fibrose, frequentemente associada apenas à questão estética, pode gerar consequências mais sérias.
“Além de deixar o tecido irregular e comprometer a aparência da cirurgia, a fibrose pode provocar dor, restrição de movimentos e até perda de mobilidade. Existem pacientes que desenvolveram limitações importantes após cirurgias porque a fibrose não foi tratada adequadamente”, relata.
Em casos de cirurgias mamárias, por exemplo, o problema pode atingir regiões como a axila e dificultar movimentos simples do braço. Em procedimentos faciais, como a lipo de papada, a fibrose pode comprometer o contorno do pescoço e causar desconforto durante a movimentação.

Cuidado com informações da internet
Outro alerta importante feito pela especialista é sobre a influência de conteúdos divulgados nas redes sociais sem respaldo técnico.
Segundo ela, muitos pacientes acreditam que determinados procedimentos dispensam acompanhamento profissional após a cirurgia, baseando-se em vídeos publicados na internet.
“É preciso ter muito cuidado com o que se vê nas redes sociais. O pós-operatório não é apenas uma massagem feita em casa. Existe toda uma avaliação técnica, identificação precoce de complicações e um conjunto de terapias que fazem parte da recuperação.”

Escolha do cirurgião também é fundamental
A especialista reforça que o primeiro passo para uma cirurgia segura é a escolha de um profissional devidamente habilitado e qualificado para realizar o procedimento.
Além de verificar a formação e a experiência do cirurgião, é importante que o paciente siga rigorosamente todas as orientações recebidas antes e depois da cirurgia, mantendo acompanhamento com a equipe multidisciplinar responsável pela recuperação.
A combinação entre uma cirurgia bem executada, preparação adequada do organismo e um pós-operatório conduzido por profissionais capacitados aumenta significativamente as chances de um resultado satisfatório e reduz os riscos de complicações.
Serviço
Aldeise Velame – Fisioterapeuta Dermato Funcional
📍 Rua Anna Orlandina Ramos Maciel, 345 – Centro, São José (SC) – CEP 88103-120
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