A Polícia Civil de Roraima (PCRR) deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Rota do Norte, considerada uma das maiores ofensivas já coordenadas pela instituição contra o crime organizado transnacional. A ação resultou, até o momento, no cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva e na apreensão de aproximadamente R$ 350 mil em dinheiro e moedas estrangeiras ligados à organização criminosa Tren de Aragua.
A operação ocorreu simultaneamente em seis estados brasileiros — Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná — e é fruto de mais de um ano e meio de investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (DRACO). (veja vídeo https://www.instagram.com/p/DZqiqUnuQyZ/)
O principal objetivo da ação é desarticular a estrutura financeira do Tren de Aragua, facção criminosa de origem venezuelana considerada uma das mais perigosas da América Latina e com atuação em diversos países.

Prisões em vários estados
Ao todo, a Justiça expediu 25 mandados de prisão preventiva, sendo 18 contra venezuelanos e sete contra brasileiros. Até o fechamento do balanço parcial, 13 mandados haviam sido cumpridos:
- 6 em Roraima;
- 5 no Amazonas;
- 1 no Rio de Janeiro;
- 1 no Paraná.
As equipes continuam realizando diligências para localizar os demais investigados.
Além disso, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e imóveis vinculados aos suspeitos e às estruturas utilizadas para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.
Operador financeiro da facção é preso
Entre os detidos está um homem localizado no Rio de Janeiro apontado como o principal operador financeiro do Tren de Aragua vinculado ao grupo investigado.
Segundo a DRACO, ele exercia papel estratégico na movimentação, administração e ocultação de recursos provenientes das atividades criminosas da organização, sendo considerado uma das peças-chave da engrenagem financeira da facção.
Durante a operação também ocorreram duas prisões em flagrante:
- Em São Paulo, por tráfico de drogas;
- Em Manaus (AM), por posse ilegal de arma de fogo e munições.

Esquema movimentava armas, drogas e criptomoedas
As investigações revelaram uma complexa rede criminosa voltada à lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava Roraima como corredor estratégico para a entrada e distribuição de armamentos provenientes da Venezuela, Colômbia e Estados Unidos. O material seria destinado principalmente a organizações criminosas instaladas no Amazonas e no Rio de Janeiro.
Os investigadores também identificaram uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais envolvendo:
- Compra de veículos de alto valor;
- Movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada;
- Utilização de moedas estrangeiras;
- Criptomoedas e ativos digitais;
- Mecanismos para ocultação patrimonial.

R$ 350 mil apreendidos
Até o momento, as equipes apreenderam:
- R$ 76.725 em espécie;
- US$ 48.285 dólares americanos;
- 35 euros.
O montante totaliza cerca de R$ 350 mil em valores apreendidos.

Também foram recolhidos:
- 11 veículos, incluindo automóveis de alto valor;
- 17 aparelhos celulares;
- 3 máquinas de contar dinheiro.
As diligências resultaram ainda na apreensão de drogas como ecstasy, metanfetamina, maconha, cocaína e loló.
Uma pistola calibre .380 e munições de diversos calibres — incluindo 7.62, 5.56 e 9 milímetros — também foram encontradas.
Tecnologia ajudou a rastrear ativos
A operação contou com o apoio da empresa norte-americana Chainalysis, referência mundial em inteligência blockchain, cuja atuação foi considerada fundamental para rastrear, recuperar e congelar ativos digitais ligados aos investigados.
A ação também mobilizou unidades especializadas das Polícias Civis dos estados participantes, além do apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (RENORCRIM) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Investigação começou há anos
Durante coletiva de imprensa, a delegada-geral da Polícia Civil de Roraima, Simone Arruda, afirmou que o trabalho representa o resultado de anos de investigação e inteligência voltados ao combate das organizações criminosas de origem venezuelana.
Segundo ela, os primeiros levantamentos sobre a atuação do Tren de Aragua em Roraima começaram entre 2018 e 2019, quando surgiram indícios da presença de integrantes da facção entre migrantes que chegavam ao estado.
“Chegamos a uma etapa em que foi possível atingir a estrutura financeira da organização, algo fundamental para enfraquecer sua atuação”, destacou.
Combate ao patrimônio criminoso
O coordenador da operação, delegado Wesley Costa de Oliveira, ressaltou que atingir o patrimônio das organizações criminosas é uma das estratégias mais eficazes para reduzir sua capacidade operacional.
“Essa é uma investigação que ultrapassa um ano e meio de trabalho ininterrupto. O combate ao crime organizado exige inteligência, integração entre instituições e investigações qualificadas. Atacar o patrimônio e a estrutura financeira dessas organizações é uma das formas mais eficazes de enfraquecer sua capacidade de atuação”, afirmou.
A Polícia Civil informou que as diligências continuam nos estados envolvidos e que novos resultados poderão ser divulgados nos próximos dias.









