A Polícia Civil de Roraima (PCRR) deflagrou, nas primeiras horas desta segunda-feira (27), a Operação Mantus, que resultou no cumprimento de oito mandados de prisão preventiva — sete no estado e um em Goiás — contra influenciadores digitais e empresários suspeitos de envolvimento em um esquema milionário de divulgação de jogos de azar ilegais, conhecidos como “jogo do tigrinho”.

A ação foi coordenada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) e também cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em diversos bairros de Boa Vista, além de determinar o bloqueio de valores que podem chegar a R$ 68 milhões e o sequestro de bens móveis e imóveis dos investigados.

Esquema estruturado e alcance nas redes sociais
De acordo com o delegado Eduardo Patrício, responsável pela investigação, o grupo atuava de forma organizada e utilizava a visibilidade nas redes sociais para atrair seguidores com promessas enganosas de ganhos fáceis por meio das plataformas ilegais.
“As investigações demonstraram uma atuação estruturada, com uso estratégico das redes sociais para alcançar um grande número de vítimas. Trata-se de uma prática criminosa com elevado potencial de dano coletivo”, afirmou.

As apurações apontam que o esquema movimentou cerca de R$ 260 milhões em um período de dois anos — valor considerado incompatível com a renda declarada pelos suspeitos. Segundo a polícia, houve crescimento patrimonial expressivo, com aquisição de veículos de luxo, imóveis e itens de alto padrão, reforçando os indícios de lavagem de dinheiro.
Prisões e alvos da operação
Durante o cumprimento de mandados no bairro Caçari, um empresário foi preso em flagrante por posse de munição.

Entre os nomes citados na investigação estão Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, Lais Ramos Gomes da Silva, Amanda Lourenço Faria, Victoria Paixão Barros, a jornalista Raniely Silva Carvalho, Vitória Reis da Silva, Juliana Lima do Nascimento, Dione dos Santos da Silva e Ruissian Ferreira Braga Ribeiro (solto após pagar fiança de quase R$ 50 mil), além de um influenciador de Goiás com prisão decretada.
Diligências e apreensões
A operação mobilizou dez equipes policiais, que atuaram simultaneamente em bairros como Cidade Satélite, Caranã, Cambará, Aparecida, Buritis, Centro, Caçari, Jardim Floresta e Jardim Primavera.
Durante as diligências, foram apreendidos celulares, notebooks, documentos físicos e digitais, veículos de alto valor, joias e outros bens de luxo. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e carteiras de investimento para interromper o fluxo financeiro do esquema.

Investigação começou em 2024
As investigações tiveram início em setembro de 2024 e, segundo a Polícia Civil, esta é apenas a primeira fase da operação, com foco nos influenciadores responsáveis pela divulgação direta dos jogos ilegais.
“A partir da análise do material apreendido, poderemos avançar na identificação de outros envolvidos, inclusive possíveis financiadores e estruturas de apoio”, explicou o delegado.
Os mandados foram expedidos pela Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro, com parecer favorável do Ministério Público.

Presos à disposição da Justiça
Os detidos foram encaminhados às unidades policiais, onde prestaram depoimento, e permanecem à disposição da Justiça. Eles devem passar por audiência de custódia nesta terça-feira (28).
A reportagem tenta contato com os citados. O espaço segue aberto para manifestações.
Origem do nome
O nome “Mantus” faz referência à mitologia etrusca, em que a entidade está associada ao mundo subterrâneo e às forças ocultas — uma alusão à atuação do grupo, que operava de forma dissimulada no ambiente digital, ocultando a origem dos valores obtidos com atividades ilegais.
NOTA À IMPRENSA
Em nota a defesa técnica da jornalista, publicitária e influenciadora Raniely Carvalho, representada pelos advogados Elizângela Matos e Henrique Wagner, se pronunciou sobre a operação conduzida pela Polícia Civil.
“A defesa ainda não teve acesso integral aos autos de investigação, uma vez que o procedimento tramita sob segredo de justiça absoluto.
Raniely Carvalho reafirma sua plena inocência e nega veementemente qualquer envolvimento em práticas de lavagem de dinheiro, golpes financeiros ou estelionato.
A jornalista sempre pautou sua atuação profissional pela transparência e está à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiando que a Justiça reconhecerá a legalidade de suas condutas.
Ressaltamos que a presunção de inocência é um direito constitucional fundamental e que qualquer conclusão precipitada, antes do devido processo legal e do amplo contraditório, configura grave injustiça à imagem da assistida.”








