BRASÍLIA — O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a realização de busca e apreensão na residência do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. A decisão foi cumprida na última terça-feira (10) e está ligada a uma investigação que apura possível prática de perseguição contra o ministro do Supremo Flávio Dino.
A apuração teve início após publicações feitas pelo jornalista em seu blog, nas quais ele aponta que familiares de Dino teriam utilizado de forma irregular um veículo oficial pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão. O primeiro texto com essas alegações foi divulgado em novembro do ano passado.
Na decisão judicial, que está sob sigilo, Moraes indica que existem indícios de que as publicações realizadas na internet e nas redes sociais poderiam configurar o crime de perseguição direcionado ao ministro da Suprema Corte.
O magistrado também mencionou a suspeita de que o jornalista teria recorrido a algum tipo de mecanismo estatal para identificar veículos oficiais, circunstância que, segundo o entendimento apresentado na decisão, poderia expor informações sensíveis relacionadas à segurança de autoridades.
Conforme informações divulgadas pelo STF, o pedido para abertura da investigação foi encaminhado pela Polícia Federal em 23 de dezembro de 2025. O objetivo era apurar a eventual ocorrência de perseguição contra um integrante do Supremo.
Inicialmente, o processo foi distribuído ao ministro Cristiano Zanin. Em seguida, no dia 13 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou parecer favorável à continuidade das investigações. Posteriormente, em 12 de fevereiro, a presidência do STF decidiu transferir a relatoria do caso para Moraes, atendendo a um pedido do próprio Zanin.
Após a diligência realizada em sua residência, Luís Pablo divulgou uma nota em seu blog relatando que agentes apreenderam equipamentos utilizados em sua atividade profissional, entre eles computadores e telefones celulares.
No comunicado, o jornalista afirmou que o processo tramita sob sigilo no STF e que, por esse motivo, ainda não possui acesso completo ao conteúdo da investigação. Segundo ele, a compreensão integral dos fundamentos da decisão dependerá da análise dos autos.
Luís Pablo também reiterou seu compromisso com a prática do jornalismo e destacou que sua atuação se baseia na apuração de fatos de interesse público, respeitando os princípios constitucionais que garantem a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação.








