A Polícia Federal deflagrou uma ofensiva que revelou um esquema de corrupção e cooptação de agentes públicos ligados ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro. Em apenas três dias de ações, a corporação prendeu 14 pessoas durante as três fases da Operação Anomalia, parte da força-tarefa Missão Redentor II, criada para combater a infiltração de organizações criminosas nas estruturas do Estado.
As investigações apontam a existência de uma organização criminosa formada por policiais, operadores financeiros e outros agentes públicos que atuavam para beneficiar facções do tráfico de drogas e milícias. Entre os presos estão dois delegados, um da Polícia Federal e outro da Polícia Civil, além de dois policiais civis e sete policiais militares. Um dos investigados está foragido no exterior e pode ser incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
Ao longo das diligências, os agentes apreenderam armas, munições, celulares, documentos, cerca de R$ 50 mil em dinheiro vivo e um veículo. Também foram determinadas pela Justiça medidas como bloqueio de bens, suspensão de empresas utilizadas no esquema e afastamento imediato dos servidores investigados de suas funções públicas.
Como funcionava o esquema
As apurações indicam que os investigados utilizavam a estrutura do Estado para favorecer criminosos, garantir proteção a atividades ilícitas e obter vantagens financeiras. O grupo atuava principalmente em favor de traficantes e milicianos que operam na região metropolitana do Rio.
Segundo a Polícia Federal, a organização possuía diferentes núcleos especializados, responsáveis por vender informações sigilosas, intermediar influência política e proteger operações criminosas.
As três fases da Operação Anomalia
1ª fase – venda de influência para traficante internacional
Deflagrada em 9 de março, a primeira etapa teve como alvo um grupo que negociava vantagens indevidas para favorecer um traficante internacional de drogas.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão na capital fluminense. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal.
Entre os investigados estavam servidores públicos e advogados suspeitos de atuar como intermediários para garantir benefícios ilegais ao traficante.
2ª fase – policiais civis suspeitos de extorquir facção
Na segunda etapa, realizada em 10 de março, a investigação avançou sobre um núcleo formado por policiais civis e operadores financeiros.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava delegacias e instrumentos oficiais para pressionar integrantes de facções criminosas e exigir pagamentos. O esquema envolvia crimes como corrupção, extorsão e lavagem de dinheiro.
Nesta fase, quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão foram cumpridos. Também houve bloqueio de valores em contas bancárias e criptoativos ligados aos investigados.
3ª fase – policiais militares cooptados por facções e milícias
A terceira fase, deflagrada em 11 de março, teve como alvo policiais militares suspeitos de atuar diretamente em benefício do crime organizado.
Sete mandados de prisão e sete de busca e apreensão foram cumpridos no Rio e nas cidades de Nova Iguaçu e Nilópolis, na Baixada Fluminense, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
As investigações apontam que os militares usavam a própria função para facilitar a logística de traficantes e milicianos, blindar criminosos de operações policiais e ajudar a ocultar recursos provenientes das atividades ilícitas.
Missão Redentor II: ofensiva contra a infiltração do crime no Estado
A operação integra a força-tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para enfrentar a atuação de organizações criminosas violentas no Rio de Janeiro.
A iniciativa surgiu a partir das diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na chamada ADPF das Favelas, que determinou maior controle e coordenação nas ações de segurança pública no estado. A força-tarefa busca produzir inteligência, desmontar redes de corrupção e cortar vínculos entre criminosos e agentes públicos.
Além da repressão direta às facções, o objetivo central da operação é desarticular a estrutura financeira e política que sustenta essas organizações.
Crimes investigados
Os envolvidos poderão responder, de acordo com o grau de participação, por crimes como:
- organização criminosa
- corrupção ativa e passiva
- lavagem de capitais
- extorsão
- favorecimento ao tráfico de drogas
Todo o material apreendido será analisado pela perícia da Polícia Federal para aprofundar as investigações e identificar outros possíveis integrantes da rede criminosa.








