Brasília/DF – A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (3), a Operação Decrypted II, com o objetivo de avançar na desestruturação de uma associação criminosa especializada em fraudes eletrônicas envolvendo carteiras de criptoativos e lavagem de dinheiro com ramificações internacionais.
A ação é resultado de cooperação entre a Polícia Federal e a Homeland Security Investigations (HSI), por meio da El Dorado Task Force, sediada em Nova York (EUA), força-tarefa voltada ao combate de crimes financeiros transnacionais e cibernéticos.
Esquema movimentou US$ 2,6 milhões
As investigações começaram há cerca de um ano, após informações repassadas pela agência norte-americana. Segundo apurado, o grupo é suspeito de furtar aproximadamente US$ 2,6 milhões em criptoativos de carteiras digitais mantidas em uma exchange — corretora de criptomoedas — sediada nos Estados Unidos.
Durante as diligências no Brasil, a PF identificou a participação de indivíduos localizados principalmente no estado do Maranhão. A cidade de Imperatriz/MA tornou-se um dos focos centrais da operação.
De acordo com os investigadores, os suspeitos recebiam valores elevados provenientes de Provedoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), sem qualquer justificativa comercial ou contratual compatível com sua capacidade econômica. A movimentação financeira considerada atípica reforçou os indícios de lavagem de dinheiro.
Mandados e bloqueio de bens
Nesta fase da operação, estão sendo cumpridos:
- Um mandado de prisão preventiva
- Um mandado de busca e apreensão
- Medida de sequestro de bens e ativos financeiros
As ordens judiciais são executadas em Imperatriz. Segundo a PF, mesmo após o cumprimento de mandados na primeira fase da investigação, um dos investigados teria continuado a realizar transferências dissimuladas de altos valores em criptoativos, evidenciando a continuidade delitiva.
Cooperação internacional contra crimes digitais
A Operação Decrypted II reforça o cenário de crescente cooperação internacional no enfrentamento de crimes cibernéticos, especialmente aqueles relacionados ao mercado de criptoativos — setor que, embora regulamentado no Brasil desde 2022, ainda enfrenta desafios no rastreamento e repressão a fraudes sofisticadas.
A atuação conjunta entre autoridades brasileiras e norte-americanas demonstra o avanço no compartilhamento de inteligência e na rastreabilidade de ativos digitais, frequentemente utilizados em esquemas de ocultação de patrimônio e transações ilícitas transfronteiriças.
Contexto e tendência
Nos últimos anos, operações envolvendo criptomoedas tornaram-se mais frequentes no Brasil, acompanhando a expansão do mercado digital. Especialistas apontam que grupos criminosos têm explorado falhas de segurança, engenharia social e invasões a carteiras digitais para desviar ativos de alto valor, muitas vezes com atuação coordenada entre diferentes países.
A Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados, e o caso segue sob segredo de Justiça.
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