Flórida / Caracas / Washington — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que o governo norte-americano assumirá a administração da Venezuela, após uma operação realizada durante a madrugada que, segundo ele, resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa encerrada às 14h45 (horário de Brasília), após cerca de 30 minutos, realizada na Flórida, onde o presidente passa o período de férias de fim de ano.
Segundo Trump, Maduro e sua esposa estariam detidos em um navio anfíbio com destino aos Estados Unidos, onde deverão responder à Justiça americana. EUA afirmam que vão administrar o país “até a democracia ser restabelecida”
Durante a coletiva, Trump declarou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela, sem estabelecer prazos.
“Nós vamos administrar o país de forma justa e correta, até que a democracia seja restabelecida”, afirmou.
O presidente classificou a Venezuela como um país em colapso institucional e econômico.
“No momento, é um país morto. A infraestrutura está apodrecida e é muito perigosa”, disse.
Segundo Trump, os EUA não permitirão que integrantes do atual regime ou figuras consideradas sem legitimidade assumam o poder durante o período de transição.
Controle do petróleo e reconstrução
Trump afirmou que a administração americana terá como foco a reconstrução da infraestrutura petrolífera, alegando que o setor foi destruído e estatizado de forma ilegal.
“Eles roubaram nosso petróleo. Construíram toda uma indústria com a nossa ajuda e tomaram tudo”, declarou.
De acordo com o presidente, os Estados Unidos controlarão o petróleo da Venezuela, que será vendido a diversos países, e os recursos servirão para:
- reconstrução do país;
- compensação de empresas americanas;
- geração de riqueza para a população venezuelana.
“Nós vamos ganhar dinheiro com o petróleo da Venezuela”, afirmou de forma direta.
Trump disse ainda que grandes companhias petrolíferas americanas já estariam prontas para investir bilhões de dólares no país.
Presença americana e governo de transição
Questionado sobre a presença de tropas em solo venezuelano, Trump afirmou que não se trata de uma ocupação militar tradicional, mas admitiu a atuação de especialistas.
“Não estamos falando de botas no solo. Nossa presença tem tudo a ver com o petróleo”, disse.
Ele afirmou que pessoas designadas pelos Estados Unidos, com apoio de setores das forças venezuelanas, irão conduzir a administração provisória.
Maduro preso e possível julgamento nos EUA
Trump disse que manteve conversas com Maduro antes da operação e que chegou a pedir sua rendição.
“Eu disse a ele: você precisa se render. Achei que ele chegou perto de fazer isso”, afirmou.
Segundo o presidente americano, Maduro deverá ser levado a Nova Iorque, onde ficará à disposição das autoridades judiciais.
Oposição e contatos políticos
O presidente afirmou ter conversado com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, a quem atribuiu controle temporário da situação no país.
Trump também se contradisse sobre contatos com a líder da oposição, María Corina Machado. Inicialmente afirmou que havia conversado com ela, mas depois negou e disse que ela não teria apoio suficiente para assumir o poder.
Críticas a Putin e guerra na Ucrânia
Na parte final da coletiva, Trump comentou a guerra entre Rússia e Ucrânia e afirmou estar insatisfeito com o presidente russo, Vladimir Putin.
“Eu não estou feliz com ele, estou chateado. Ele está matando muita gente”, disse.
Trump afirmou que herdou o conflito do governo anterior e que seu objetivo é “salvar vidas”, classificando a guerra como um “banho de sangue”.








