Barra Velha (SC) – Em um momento histórico para o município, nesta segunda-feira, 17, foi inaugurada a nova Casa de Acolhimento Institucional de Crianças e Adolescentes (Saica) Vereador Germano Selker’, um espaço totalmente estruturado para garantir proteção, cuidado humanizado e condições dignas a meninos e meninas que tiveram seus direitos violados.
O local, construído com investimento total de R$ 1.102.038,91, sendo R$ 777 mil do Governo do Estado e R$ 325.038,91 em recursos próprios, já está funcionando e recebendo crianças em situação de risco. Por motivos de segurança, o endereço é sigiloso, conforme determinação legal.
A inauguração contou com a presença do prefeito Daniel Cunha, do vice Professor Juliano Bernardes, do secretário de Assistência Social Idemar Trevisani, além de representantes da Aprisco, do Legislativo, servidores municipais, conselheiros tutelares e membros da comunidade.
“Uma casa digna para um momento de fragilidade”, diz o prefeito Daniel Cunha
Durante a inauguração, o prefeito destacou que a realização deste projeto é resultado de um esforço coletivo:
“Quando se trabalha em conjunto, as coisas sempre dão certo. Hoje inauguramos um espaço digno e necessário, pensado para atender crianças que estão vivendo o momento mais difícil e fragilizado de suas vidas. Gostaríamos que locais como este não fossem necessários, mas a sociedade passa por transformações dolorosas, e quem mais sofre muitas vezes é uma criança, um verdadeiro anjo precisando de acolhimento.”
O prefeito ressaltou ainda a importância da união entre Poder Executivo, Legislativo, Judiciário e toda a rede de proteção para tornar a obra possível.

Um sonho antigo que se torna realidade, afirma o secretário Idemar Trevisani
O secretário de Assistência Social, emocionado, relatou que este é um marco para Barra Velha:
“Este dia ficará marcado na história. A inauguração da Casa de Acolhimento representa o compromisso do município com a proteção integral e a garantia dos direitos de cada criança e adolescente. É um espaço planejado com sensibilidade, responsabilidade e muito diálogo.”
Trevisani lembrou que a antiga instituição ficava em uma casa sujeita a alagamentos. Depois, o serviço foi transferido para um imóvel alugado, sempre com a intenção de, um dia, inaugurar uma sede própria e adequada. Esse sonho, iniciado ainda em 2012, finalmente foi concretizado agora.
“Hoje entregamos um espaço amplo, seguro, bonito e com cara de casa. É isso que elas precisam: conforto, aconchego e cuidado.”
APRISCO: quem são os responsáveis pela gestão do novo acolhimento
A gestão do serviço de acolhimento em Barra Velha é realizada pela Associação APRISCO, entidade sem fins lucrativos fundada em 2010 e com sede em São José do Cedro (SC). A organização administra seis casas de acolhimento no estado.
O diretor administrativo, Marcos Costa, explicou a origem do nome “Aprisco”, um símbolo de cuidado e restauração:
“Na Palestina, o aprisco era o espaço onde o pastor cuidava da ovelha ferida antes de devolvê-la ao rebanho. É isso que fazemos aqui: acolhemos crianças emocional ou fisicamente feridas, tratamos delas, damos afeto, apoio e estrutura até que possam voltar às suas famílias ou seguir para adoção.”

Uma rotina de amor, proteção e reconstrução
A coordenadora do Serviço de Acolhimento Institucional (Saica), Franciele Camargo, contou que atualmente o local atende oito crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos e 11 meses.
Segundo ela, o principal papel do acolhimento é oferecer cuidado e proteção a quem sofreu negligência, violência ou abandono:
“A maioria chega muito assustada. O que mais sentem falta é amor e carinho. Nossa equipe é preparada para esse primeiro contato e para tudo que vem depois.”
A estrutura conta com:
- equipe técnica completa (psicóloga, assistente social, coordenadora, educadores e equipe administrativa)
- alimentação, cuidados diários e acompanhamento integral de saúde
- rotina escolar normal
- atividades esportivas e culturais
- cursos profissionalizantes
- inserção no mercado de trabalho para adolescentes
- preparação para maioridade e vida independente
O acolhimento recebe crianças e adolescentes, encaminhadas exclusivamente pelo Conselho Tutelar ou Poder Judiciário, e tem capacidade para até 20 acolhidos. As visitas e reintegrações familiares são definidas judicialmente, caso a caso.
O que é o APRISCO?
A Associação APRISCO é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 2010, especializada em gestão de serviços de acolhimento institucional. Atua em seis municípios catarinenses, oferecendo proteção, cuidado humanizado e reconstrução emocional para crianças e adolescentes vítimas de violações de direitos.
O nome representa acolhimento, cura e reintegração — valores centrais para a instituição.
A importância do acolhimento institucional para a sociedade
O acolhimento institucional é uma das ferramentas mais importantes da proteção social brasileira porque:
✔ Protege vidas
Afasta crianças e adolescentes de ambientes onde existe violência, abandono, abuso ou negligência.
✔ Garante dignidade
Oferece moradia, alimentação, estudo, saúde e afeto a quem está em situação de extrema vulnerabilidade.
✔ Reconstrói histórias
O acolhimento não é apenas um abrigo temporário; é um espaço de cura emocional, pertencimento e reorganização familiar.
✔ Fortalece a rede de proteção
O trabalho conjunto do Judiciário, Conselho Tutelar, assistência social, educação e saúde garante que a criança não fique sem resposta.
Leis que garantem os direitos das crianças acolhidas
O serviço de acolhimento é fundamentado principalmente em:
📜 Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei 8.069/1990
- Art. 4º: garante prioridade absoluta à infância.
- Art. 5º: protege contra qualquer forma de negligência, discriminação, violência, crueldade e opressão.
- Art. 92 a 94: regulamentam o acolhimento institucional.
- Define que o acolhimento é excepcional, provisório e deve prezar pelo fortalecimento de vínculos familiares.
📜 Constituição Federal – Artigo 227
Determina que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar, com absoluta prioridade, todos os direitos das crianças.
📜 Lei do SINASE e diretrizes do SUAS
Regulam a atuação integrada entre assistência social, Judiciário, Ministério Público e rede de proteção.
Essas normas garantem que toda criança acolhida tenha direitos preservados e oportunidades reais de reconstrução de vida.
APRISCO e Barra Velha: um novo capítulo de esperança
A inauguração da instituição representa mais do que uma obra concluída: simboliza uma cidade que reconhece seu papel na defesa dos mais vulneráveis. Como um verdadeiro “aprisco”, o espaço será um lugar de cura, segurança e renascimento.








