O desembargador João Marcos Buch, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), provocou intenso debate nas redes sociais após publicar, em seu perfil no Instagram, uma crítica à megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) no Complexo do Alemão e na Penha, no Rio de Janeiro — ação que se tornou a mais letal da história do estado, com ao menos 60 mortos, entre eles policiais e suspeitos.
Buch, que é autor, mestre em Ciência Jurídica, criminólogo, formador da Enfam, LGBT+, antirracista e defensor dos direitos humanos, criticou duramente o modelo de enfrentamento policial adotado em comunidades cariocas.
“Segurança pública não se faz com violência pública. Operações policiais em morros e favelas costumam resultar na suspensão de aulas, de atendimento de saúde, no transporte público, além de provocarem enfrentamentos e mortes. Essa fórmula, operação policial, confronto, mortes, prisão, já se comprovou fracassada. Logo em seguida tudo volta a ser como era (…). Não se faz guerra contra a própria população. Políticas inclusivas de habitação, saneamento, saúde, educação, empregabilidade, cultura e lazer é que trazem benefícios para a sociedade.”
Críticas e reação nas redes sociais
A postagem do desembargador gerou forte repercussão e dividiu opiniões. Entre os comentários mais destacados, está o do usuário Dyonatha Ribeiro, que rebateu o posicionamento de Buch:
“O senhor vive uma ilusão. Acha que é a polícia que busca o confronto? O crime organizado hoje já pode ser chamado de grupo terrorista (…). Nenhum policial deseja a morte. O senhor só critica a polícia como se ela fosse responsável pelos problemas sociais, mas não vejo o senhor criticando ou tentando combater as facções (…). Antes de apontar para a polícia, um maior culpado é o próprio Judiciário, que continua sendo leniente com o crime, tratando grupos terroristas como vítimas, bem ao discurso do atual presidente.”
A mensagem de Ribeiro ecoa a percepção de parte da população que apoia ações policiais mais enérgicas contra o crime organizado, ainda que com alto custo humano. Outras pessoas, porém, manifestaram apoio ao magistrado, destacando a necessidade de repensar o modelo de segurança pública no país.

A operação mais mortal do Rio
Enquanto o debate crescia nas redes, o Rio de Janeiro vivia um dia de confrontos intensos.
A megaoperação, coordenada por forças estaduais e federais, mobilizou mais de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, com apoio logístico das Forças Armadas, para enfrentar o avanço da facção Comando Vermelho (CV) nas comunidades da Penha e do Alemão.
A ação resultou ainda na apreensão de 75 armas de grosso calibre, centenas de munições, coletes balísticos e veículos roubados. Escolas e postos de saúde foram fechados durante os tiroteios, e parte do transporte público foi suspensa.
Debate sobre segurança pública
A crítica do desembargador Buch ganha força justamente no contexto de uma operação com saldo tão alto de mortes. Para o magistrado, ações dessa natureza não resolvem as causas estruturais da criminalidade, mas apenas perpetuam ciclos de violência.
Especialistas em segurança pública também alertam para os efeitos colaterais dessas ações em áreas densamente povoadas, onde moradores ficam presos em casa e serviços essenciais são interrompidos.
Já setores das corporações policiais e da política fluminense afirmam que sem enfrentamento direto, o Estado perderia completamente o controle de territórios dominados por facções.
Contexto e impacto social
Enquanto isso, nas redes, o debate segue acalorado entre os que pedem mais rigor policial e os que defendem mudanças estruturais no modelo de combate ao crime, o mesmo ponto levantado por João Marcos Buch na postagem.
Fontes: The Guardian, El País, Reuters, Agência Brasil, O Globo, TJSC
Edição: Redação Central | Com informações de agências internacionais








