Um episódio de grande comoção marcou o fim de semana em Rio Branco, no Acre. Um bebê prematuro, declarado morto logo após o parto, surpreendeu a todos ao chorar durante o próprio velório. A criança, que havia sido dada como morta no sábado (25), foi socorrida às pressas e levada de volta ao hospital, mas acabou falecendo na noite de domingo (26). O caso, considerado raro, é investigado pelas autoridades de saúde e pela Polícia Civil.
De acordo com as informações oficiais, o bebê nasceu com cerca de 25 semanas de gestação, pesando pouco mais de meio quilo. A mãe, transferida do município de Pauini, no Amazonas, apresentou um quadro de risco e precisou ser atendida na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco. Após o parto, os profissionais constataram ausência de sinais vitais e emitiram a declaração de óbito, liberando o corpo à família.
Durante o velório, já na manhã do dia seguinte, uma parente notou que o bebê se mexia e chegou a chorar dentro do caixão. O menino foi imediatamente levado de volta à maternidade e internado em estado gravíssimo na UTI neonatal. Apesar de todos os esforços das equipes médicas, ele não resistiu às complicações e morreu por volta das 23 horas de domingo, vítima de choque séptico e sepse neonatal.
A Secretaria de Saúde do Acre informou que instaurou uma investigação interna para apurar as circunstâncias do atendimento e verificar se os protocolos foram corretamente seguidos. A médica responsável pela emissão do primeiro laudo de óbito foi afastada preventivamente de suas funções até a conclusão do inquérito.
O Ministério Público e a Polícia Civil também acompanham o caso. As instituições buscam esclarecer se houve falha na confirmação da morte ou no procedimento de liberação do corpo, além de revisar as condições estruturais da maternidade e a conduta das equipes envolvidas.
Especialistas explicam que, embora extremamente raro, o fenômeno de um recém-nascido declarado morto voltar a apresentar sinais vitais pode ocorrer em casos de prematuridade extrema, quando os sinais de vida são muito sutis e difíceis de detectar. Ainda assim, o caso levanta discussões sobre a necessidade de revisão dos protocolos de verificação de óbito em neonatos e o reforço das práticas de segurança hospitalar.
A morte do pequeno José Pedro, como foi identificado o bebê, causou comoção nacional. Para os familiares, o episódio foi uma mistura de esperança e dor, marcada por uma breve e inesperada chance de vida. O caso segue sob investigação, e as autoridades prometem transparência na apuração dos fatos e nas medidas que deverão ser adotadas após a conclusão do inquérito.








