Brasília, 17 de setembro de 2025 — O delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais e ex-diretor de Administração e Finanças da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), foi preso nesta quarta-feira em uma operação da Polícia Federal que expôs um dos maiores esquemas de corrupção e crimes ambientais da última década. A ação revelou uma rede bilionária de fraudes em licenciamento minerário, que teria causado danos ambientais graves e envolvido dezenas de empresas e órgãos públicos.
Além de Teixeira, também foi preso Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM). As autoridades cumpriram 22 mandados de prisão e 79 de busca e apreensão em diversos estados. A Justiça Federal bloqueou R$ 1,5 bilhão em bens dos investigados e determinou o afastamento de servidores públicos suspeitos de participação no esquema.
Um passado de protagonismo em grandes investigações
Rodrigo de Melo Teixeira tornou-se conhecido nacionalmente ao participar da investigação do atentado contra Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG). Também atuou nas investigações iniciais da tragédia de Brumadinho, em 2019, quando o rompimento de uma barragem da Vale resultou em centenas de mortes e danos ambientais devastadores.
Apesar da imagem de combatente do crime, Teixeira acumulou, ao longo dos anos, cargos de destaque durante administrações do Partido dos Trabalhadores. Em 2023, ocupava o terceiro cargo mais alto da hierarquia da PF como Diretor de Polícia Administrativa. No ano seguinte, foi nomeado para o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia.
Ele também já havia exercido funções estratégicas em Minas Gerais, como secretário-adjunto de Defesa Social, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e secretário municipal de Segurança em Belo Horizonte.
Esquema de fraudes em larga escala
A investigação, iniciada em 2020 e batizada de Operação Rejeito, apura a atuação de uma organização criminosa composta por agentes públicos, empresários do setor minerário e consultorias ambientais. Segundo a PF, o grupo fraudava processos de licenciamento ambiental para autorizar a exploração ilegal de minério de ferro em áreas de preservação, sem o devido rigor técnico ou análise de impacto ambiental.
Documentos apontam que servidores eram subornados para emitir autorizações irregulares. Parte deles recebia uma “mesada” fixa para manter o esquema ativo. Estima-se que as atividades mineradoras autorizadas de forma fraudulenta tenham movimentado mais de R$ 18 bilhões, com prejuízos ambientais irreversíveis.
Entre os órgãos citados nas investigações estão a ANM, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a FEAM e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad).
Crimes investigados e impacto institucional
Os investigados poderão responder por uma série de crimes, entre eles:
- Corrupção ativa e passiva
- Organização criminosa
- Lavagem de dinheiro
- Usurpação de bens da União
- Crimes ambientais
- Obstrução de investigação
A operação envolveu ainda a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal, o que evidencia a gravidade do caso.
A prisão de um ex-integrante da cúpula da PF com atuação em investigações sensíveis reacende o debate sobre os critérios de nomeações para cargos estratégicos na administração pública e a politização de instituições que deveriam ser técnicas e imparciais.
Próximos passos
As investigações seguem em curso e novas fases da operação não estão descartadas. Até o momento, a defesa de Rodrigo de Melo Teixeira não se manifestou publicamente. Órgãos públicos mencionados no inquérito também não divulgaram posicionamento oficial.
A expectativa é de que a operação tenha desdobramentos em outras esferas do governo e traga à tona novas ramificações do esquema, o que pode impactar diretamente o setor de mineração, as políticas ambientais e a confiança nas instituições de controle do país.








