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    Início » Delegado que investigou facada em Bolsonaro é preso por corrupção bilionária em esquema ligado à mineração ilegal
    Polícia 4 Mins Read

    Delegado que investigou facada em Bolsonaro é preso por corrupção bilionária em esquema ligado à mineração ilegal

    Ele também já havia exercido funções estratégicas em Minas Gerais, como secretário-adjunto de Defesa Social, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM)
    Redação17 de setembro de 2025
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    Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da Polícia Federal é figura influente em gestões do PT Foto: Reprodução Globo
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    Brasília, 17 de setembro de 2025 — O delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais e ex-diretor de Administração e Finanças da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), foi preso nesta quarta-feira em uma operação da Polícia Federal que expôs um dos maiores esquemas de corrupção e crimes ambientais da última década. A ação revelou uma rede bilionária de fraudes em licenciamento minerário, que teria causado danos ambientais graves e envolvido dezenas de empresas e órgãos públicos.

    Além de Teixeira, também foi preso Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM). As autoridades cumpriram 22 mandados de prisão e 79 de busca e apreensão em diversos estados. A Justiça Federal bloqueou R$ 1,5 bilhão em bens dos investigados e determinou o afastamento de servidores públicos suspeitos de participação no esquema.


    Um passado de protagonismo em grandes investigações

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    Rodrigo de Melo Teixeira tornou-se conhecido nacionalmente ao participar da investigação do atentado contra Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG). Também atuou nas investigações iniciais da tragédia de Brumadinho, em 2019, quando o rompimento de uma barragem da Vale resultou em centenas de mortes e danos ambientais devastadores.

    Apesar da imagem de combatente do crime, Teixeira acumulou, ao longo dos anos, cargos de destaque durante administrações do Partido dos Trabalhadores. Em 2023, ocupava o terceiro cargo mais alto da hierarquia da PF como Diretor de Polícia Administrativa. No ano seguinte, foi nomeado para o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

    Ele também já havia exercido funções estratégicas em Minas Gerais, como secretário-adjunto de Defesa Social, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e secretário municipal de Segurança em Belo Horizonte.


    Esquema de fraudes em larga escala

    A investigação, iniciada em 2020 e batizada de Operação Rejeito, apura a atuação de uma organização criminosa composta por agentes públicos, empresários do setor minerário e consultorias ambientais. Segundo a PF, o grupo fraudava processos de licenciamento ambiental para autorizar a exploração ilegal de minério de ferro em áreas de preservação, sem o devido rigor técnico ou análise de impacto ambiental.

    Documentos apontam que servidores eram subornados para emitir autorizações irregulares. Parte deles recebia uma “mesada” fixa para manter o esquema ativo. Estima-se que as atividades mineradoras autorizadas de forma fraudulenta tenham movimentado mais de R$ 18 bilhões, com prejuízos ambientais irreversíveis.

    Entre os órgãos citados nas investigações estão a ANM, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a FEAM e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad).


    Crimes investigados e impacto institucional

    Os investigados poderão responder por uma série de crimes, entre eles:

    • Corrupção ativa e passiva
    • Organização criminosa
    • Lavagem de dinheiro
    • Usurpação de bens da União
    • Crimes ambientais
    • Obstrução de investigação

    A operação envolveu ainda a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal, o que evidencia a gravidade do caso.

    A prisão de um ex-integrante da cúpula da PF com atuação em investigações sensíveis reacende o debate sobre os critérios de nomeações para cargos estratégicos na administração pública e a politização de instituições que deveriam ser técnicas e imparciais.


    Próximos passos

    As investigações seguem em curso e novas fases da operação não estão descartadas. Até o momento, a defesa de Rodrigo de Melo Teixeira não se manifestou publicamente. Órgãos públicos mencionados no inquérito também não divulgaram posicionamento oficial.

    A expectativa é de que a operação tenha desdobramentos em outras esferas do governo e traga à tona novas ramificações do esquema, o que pode impactar diretamente o setor de mineração, as políticas ambientais e a confiança nas instituições de controle do país.

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