Barra Velha, SC – Após o ataque de dois cães a uma criança de 9 anos em um terreno baldio no bairro Nova Barra Velha, o caso ganhou novos desdobramentos: os próprios animais também foram brutalmente agredidos horas depois do incidente. Um boletim de ocorrência foi registrado e as autoridades agora são cobradas não apenas por providências quanto ao controle da população animal nas ruas, mas também por investigação e punição aos responsáveis pelas agressões contra os cães — configurando crime de maus-tratos.
Segundo o defensor da causa animal e protetor independente Gerson Roeder, os cães estavam sob cuidados voluntários há meses e eram alimentados regularmente. No entanto, após a repercussão do ataque à criança, os animais desapareceram durante a madrugada e retornaram somente na tarde do dia seguinte com ferimentos profundos. De acordo com Roeder, há indícios de que os cortes tenham sido feitos intencionalmente, o que reforça a suspeita de retaliação violenta por parte de moradores da região.
“Já tivemos ameaças anteriores contra esses cães. Na noite do ataque, os animais sumiram. Quando voltaram, estavam feridos com mais de cinco cortes profundos na região traseira. Isso é crime e precisa ser investigado com seriedade”, afirma Roeder, que registrou boletim de ocorrência e apresentou fotos, áudios e prints de conversas à Polícia Civil.
O caso foi registrado como crime de maus-tratos contra animais com agravantes, previsto no Art. 32 da Lei de Crimes Ambientais (9.605/1998). Se houver comprovação da autoria, os culpados podem responder criminalmente, com penas que variam de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa.
Aumento do abandono também é foco de preocupação
O episódio expõe uma realidade cada vez mais presente em Barra Velha: o aumento alarmante no número de animais abandonados nas ruas, muitas vezes deixados por tutores irresponsáveis.
“Esses cães não nasceram na rua. Foram abandonados por pessoas sem compaixão, que pegam animal por impulso e depois descartam como se fossem objetos. Isso também é crime, e a impunidade alimenta esse ciclo cruel”, ressalta Roeder.

A mãe da criança atacada, Bibiana Pereira Adri, afirma que reconhece a situação grave dos animais na rua, mas nega envolvimento nas agressões. Em nova entrevista, ela confirmou que a filha entrou no terreno para acariciar os cães e foi atacada, informação agora confirmada por imagens de câmeras de segurança.
“Ela se aproximou com inocência, porque ama animais. Já explicamos a ela que não se deve tocar em bichos desconhecidos. Mas o ataque aconteceu. Isso não pode ser ignorado”, disse a mãe, que reforça a necessidade de providências do poder público.
A Fundema (Fundação Municipal do Meio Ambiente) informou que atua apenas em casos de maus-tratos, enquanto a fiscalização de animais soltos é de responsabilidade do Setor de Posturas da Prefeitura, conforme o Código de Posturas Municipal.
Segundo moradores, o ideal seriam campanhas de castração de animais de rua, apontada como um dos principais fatores do descontrole populacional. Animais domiciliados raramente têm acesso à rua e, em sua maioria, são castrados e confinados, ao contrário dos que vivem em terrenos baldios ou vagando livremente.
“Os cães daquele terreno continuam lá. Eles são territoriais e podem voltar a atacar — não só crianças, mas idosos, cadeirantes, qualquer pessoa. E, apesar de a criança ter entrado no terreno com inocência, isso não elimina o risco real que esses cães representam à comunidade enquanto estiverem soltos”, alerta um morador que preferiu não se identificar.
Um problema complexo que exige ação conjunta
“Se nada for feito, mais pessoas serão atacadas e mais animais também. Não podemos tratar o abandono com naturalidade nem permitir que crimes de vingança ou negligência fiquem impunes”, conclui Roeder.
A equipe do portal DaniMeller.com segue acompanhando o caso e cobrando a atuação firme dos órgãos responsáveis. A sociedade civil, protetores independentes, pais e moradores pedem união de esforços, justiça para os animais agredidos, proteção para as crianças e, acima de tudo, ações concretas para que esse ciclo de sofrimento — de todos os lados — seja quebrado.
Como denunciar
A Ouvidoria Municipal de Barra Velha pode ser acionada pelo WhatsApp no número (47) 99168-4624 ou pelo site: barravelha.atende.net








