Na manhã desta quinta-feira (28/08), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), coordenado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), prestou apoio ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) na deflagração da megaoperação Carbono Oculto, que tem como objetivo desarticular um sofisticado esquema criminoso de fraudes no setor de combustíveis, com participação direta de facção criminosa.
Com ações simultâneas em oito estados — São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina — a operação mobilizou mais de 1.400 agentes públicos e envolve diversos órgãos de fiscalização e segurança, como Polícia Federal, Polícias Civis e Militares, Receita Federal, ANP, Ministério Público Federal e estaduais, além da Secretaria da Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo.
Em Santa Catarina, o GAECO cumpriu três mandados de busca e apreensão nas cidades de Itajaí e Criciúma, atendendo decisões judiciais da Justiça paulista.
Esquema Bilionário e Altamente Perigoso
As investigações apontam que o grupo criminoso utilizava metanol importado irregularmente, que entrava no país pelo Porto de Paranaguá (PR), para adulterar combustíveis distribuídos em larga escala a postos de gasolina. O produto, altamente tóxico e inflamável, era desviado com notas fiscais falsas, transportado clandestinamente e repassado para distribuição com documentação fraudulenta, colocando em risco a saúde pública, a segurança viária e o meio ambiente.
Além da adulteração, a fraude também atingia a quantidade vendida ao consumidor: em mais de 300 postos investigados, foram identificadas fraudes qualitativas (combustível fora dos padrões exigidos pela ANP) e quantitativas (volume entregue menor do que o indicado nas bombas).

Facção Infiltrada e Ameaças de Morte
O Ministério Público de São Paulo revelou que uma facção criminosa está associada a diversas redes empresariais envolvidas na cadeia ilegal de combustíveis. Proprietários de postos que tentaram cobrar valores de vendas não quitadas relataram ameaças de morte, evidenciando o nível de violência e coação empregado pela organização.
A estrutura criminosa também atuava com lavagem de dinheiro, ocultando os lucros obtidos com o esquema por meio de empresas de fachada (shell companies), fundos de investimento, distribuidoras e transportadoras. Fintechs controladas pelo grupo permitiam movimentações financeiras paralelas, dificultando o rastreamento dos valores.
Bloqueio de Bens e Ações Judiciais
Além das medidas criminais, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) tomará providências judiciais para recuperar o valor sonegado, que já ultrapassa R$ 7,6 bilhões.
Sobre o GAECO
O GAECO é uma força-tarefa coordenada pelo MPSC e composta por integrantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. Seu foco é combater organizações criminosas, atuando de forma estratégica e integrada em operações de alta complexidade.








