A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, na noite desta segunda-feira (25), cerca de 161,5 quilos de cabelo humano de origem estrangeira, sem qualquer documentação fiscal ou comprovação de importação regular. A apreensão ocorreu no km 0 da PR-486, no município de Perobal, no noroeste do Paraná.
Segundo informações da PRF, por volta das 19h40, os agentes abordaram um veículo Suzuki SX4 com placas de São Paulo, conduzido por um homem de 43 anos. Durante a fiscalização, o motorista apresentou comportamento nervoso e forneceu informações contraditórias sobre sua viagem, o que motivou uma busca mais minuciosa no automóvel.
No porta-malas e no interior do veículo, os policiais encontraram seis malas recheadas com mechas de cabelo humano, totalizando mais de 160 quilos do material. Ao ser questionado, o condutor confessou ter adquirido os cabelos por US$ 15 mil (cerca de R$ 80 mil), com a intenção de revendê-los em salões de beleza no Estado de São Paulo.
Contudo, o valor de revenda no mercado nacional é muito superior. Estima-se que a carga apreendida possa alcançar até R$ 800 mil quando fracionada e comercializada por meio de plataformas online ou diretamente com profissionais do ramo de beleza. Esse tipo de produto é bastante procurado para confecção de apliques, perucas e megahair, principalmente por ser natural e, portanto, de maior qualidade e durabilidade.
Mercado de cabelo humano: um setor milionário e pouco regulado
O comércio de cabelo humano é um mercado bilionário em escala global, com destaque para países como Índia, China, Vietnã e Brasil, principais fornecedores da matéria-prima. Os fios naturais são altamente valorizados por sua textura, comprimento e origem não processada. No Brasil, o preço do quilo de cabelo pode variar entre R$ 3 mil a R$ 8 mil, dependendo das características dos fios – como cor, espessura e se estão “virgens” (sem química).
A maior parte do comércio é voltada à indústria da beleza, mas o setor também envolve nuances delicadas. Em alguns casos, o material é obtido de forma suspeita, o que tem levantado preocupações com a ética da coleta e a legalidade da importação. A entrada do produto no país sem regularização fiscal, como no caso registrado em Perobal, é considerada contrabando.
Prisão em flagrante
O motorista foi preso em flagrante por contrabando e encaminhado à Delegacia da Polícia Federal de Guaíra (PR), onde responderá criminalmente. O veículo e a carga foram apreendidos para perícia e posterior investigação.
A PRF destacou que a importação de produtos de origem estrangeira sem documentação legal fere a legislação brasileira e prejudica tanto a arrecadação de impostos quanto o comércio formalizado. O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que apura a origem exata do material e os possíveis envolvidos na rede de distribuição.








