Barra Velha, SC – Uma criança de apenas 9 anos foi atacada por dois cães enquanto retornava da escola, por volta das 11h40 desta quarta-feira (20), no bairro Nova Barra Velha, no litoral Norte de Santa Catarina. O caso acendeu um alerta sobre a presença de animais soltos nas ruas e a falta de fiscalização por parte das autoridades competentes.
A menina, aluna da Escola Municipal Maria Lindamir de Aguiar Barros, retornava sozinha para casa após o turno da manhã quando foi surpreendida por dois cachorros. Um deles mordeu uma das pernas e o outro tentou atacá-la no braço. Por sorte, o segundo animal acertou apenas o moletom, e a menina conseguiu fugir correndo e gritando por socorro. Segundo a mãe, ninguém apareceu para ajudá-la no momento do ataque.
A empresária Bibiana Pereira Adri, mãe da vítima, procurou a reportagem do portal DaniMeller.com para relatar o ocorrido e cobrar providências das autoridades locais. Moradora há três meses do bairro Nova Barra Velha, ela conta que a situação tem se agravado com o aumento de cães abandonados na região.
“Tem pelo menos cinco ou seis cachorros soltos nas redondezas. Um deles é um chow chow enorme. A nossa filha foi atacada hoje, mas não é a primeira vez que temos problemas. Nossa outra filha, que vai de bicicleta ao trabalho, também já foi cercada por cachorros. A gente está com medo, não sabe mais o que fazer. Agora, como é que a gente garante que nossas crianças estão seguras indo para a escola?”, desabafa Bibiana.
A menina foi levada para o posto de saúde da localidade, no bairro Quinta dos Açorianos, mas a unidade já estava fechada no momento da chegada. A família precisou esperar o retorno do pai para buscar atendimento médico em outro local.
Além dos animais abandonados, a moradora relata que um dos cachorros que frequentemente invade o terreno da família pertence a um vizinho, mas permanece solto. “O cachorro está sempre na nossa volta. Temos vídeo dele dentro do pátio. Estamos terminando de construir o muro da casa, nos mudamos às pressas por causa do nascimento do nosso bebê. Estamos vulneráveis e com medo.”
Em busca de esclarecimentos, nossa reportagem entrou em contato com a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Barra Velha (FUNDEMA). O presidente da entidade, Kaiann Barentim, explicou que a responsabilidade pela fiscalização de animais soltos é do Setor de Posturas da Prefeitura, conforme estabelece o Código de Posturas do Município:
Art. 153 – “Todos os animais encontrados soltos nas vias públicas, logradouros, nas zonas urbanas e suburbanas da cidade e vilas do Município, serão apreendidos e recolhidos ao depósito municipal, onde permanecerão até que seus proprietários os reclamem, mediante o pagamento das multas e taxas devidas.”
Ainda segundo Barentim, a FUNDEMA atua apenas em casos de maus-tratos a animais, como prevê a legislação municipal. “Quando recebemos denúncias, nossa equipe vai até o local, tenta identificar o tutor e notifica para que ele tome providências como cercamento ou uso de guia”, explicou.
Entretanto, até o momento do ataque à criança, nenhuma denúncia formal havia sido registrada na ouvidoria da Prefeitura, o que, segundo o órgão, impossibilita ações imediatas.
Ouvidoria
Um dos problemas apontados pela comunidade é a falta de informação sobre os canais de denúncia. Bibiana relata que, assim como muitos moradores, não sabia que era necessário registrar o caso na ouvidoria para que providências fossem tomadas.
A Ouvidoria Municipal pode ser acionada pelo WhatsApp no número (47) 99168-4624 ou pelo site: https://barravelha.atende.net/cidadao
“O que mais preocupa é que há muitas crianças na região. Minha filha deu sorte hoje, mas e se fosse outra? E se fosse eu, andando com meu bebê no colo? É preciso fazer alguma coisa, fazer mutirão de castração, recolher esses animais, identificar os tutores. Do jeito que está, é uma tragédia anunciada”, conclui Bibiana.
Outro alerta: falta de estrutura para estudantes
Além do risco com animais, Bibiana também chama atenção para outro problema: a falta de um local adequado para as crianças esperarem o transporte escolar. “Hoje estava chovendo, por isso a maioria dos alunos não foi para a escola. Minha filha voltou sozinha e acabou atacada. Quando chove, ninguém vai, porque não tem abrigo. Isso também precisa ser revisto.”

Nota da Redação: Casos como esse reforçam a importância da fiscalização contínua e de políticas públicas voltadas para o controle populacional de animais de rua. A equipe do portal DaniMeller.com seguirá acompanhando o caso e cobrando respostas das autoridades.








