Blumenau (SC) — Nesta sexta-feira (1º), a Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Polícia de Gaspar, prendeu em flagrante um homem que se apresentava nas redes sociais como “terapeuta canábico”. Ele é acusado de tráfico de drogas, conforme o artigo 33 da Lei 11.343/06, por manter em sua residência um laboratório de cultivo e manipulação de substâncias ilícitas à base de cannabis.
A investigação teve início em Gaspar após uma denúncia anônima, que apontava que o suspeito estaria administrando medicamentos produzidos com entorpecentes a terceiros, inclusive a uma pessoa idosa que teria passado mal após o uso de um desses produtos. O investigado se autointitulava “estudante de farmácia” e divulgava vídeos e depoimentos de supostos pacientes nas redes sociais, alegando sucesso em tratamentos com derivados da planta.
Com base nas informações apuradas, o delegado responsável pelo caso, Filipe Martins, solicitou mandado de busca e apreensão, que foi cumprido nesta manhã. No local, foi encontrado um verdadeiro laboratório clandestino, com 115 pés de cannabis sativa, além de drogas em estado bruto, equipamentos para cultivo, preparo, pesagem e embalagem da substância.
“O que vimos foi uma estrutura que indicava claramente a produção para fins comerciais. Não se tratava de um caso de uso medicinal regulamentado, mas sim de um esquema ilegal de distribuição de drogas disfarçado de tratamento alternativo”, destacou o delegado Filipe Martins.
O homem foi preso em flagrante e encaminhado ao presídio da região. Ele passará por audiência de custódia nas próximas 24 horas e permanecerá à disposição da Justiça.

Canabidiol: o que diz a lei e os riscos do uso não supervisionado
O canabidiol (CBD) é um dos componentes da cannabis com uso terapêutico reconhecido, principalmente no tratamento de epilepsias refratárias, dores crônicas, transtornos de ansiedade e outras condições neurológicas. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta a importação e o uso de produtos à base de CBD desde 2015, exigindo prescrição médica e autorização específica para aquisição.
Contudo, especialistas alertam que o uso da cannabis medicinal deve ser sempre supervisionado por um profissional da saúde habilitado e o produto precisa ter origem certificada. O uso de derivados com origem duvidosa, sem controle de qualidade, pode trazer riscos sérios à saúde, como reações adversas, contaminação por fungos ou pesticidas, e até efeitos psicoativos indesejados.
“Quando a substância é manipulada de forma clandestina, perde-se qualquer controle sobre a dose, a pureza e a eficácia do composto. Isso é especialmente perigoso para pessoas com doenças crônicas, idosos e crianças”, explica a farmacologista Maria Lúcia Andrade, especialista em cannabis medicinal.
O caso reacende o debate sobre a regulação do cultivo e uso terapêutico da cannabis no Brasil, ao mesmo tempo que reforça a importância da atuação policial contra práticas que colocam vidas em risco sob o disfarce de tratamentos naturais.
Denúncias podem ser feitas online
A Polícia Civil reforça a importância da participação da população na identificação de atividades ilegais. Denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do site:
👉 https://denuncias.pc.sc.gov.br
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