Nesta segunda-feira, 28 de abril de 2025, um apagão sem precedentes afetou a Península Ibérica, deixando milhões de pessoas sem energia elétrica por até 12 horas. O incidente, considerado o maior da história da Espanha, teve início por volta das 12h33 (CEST) e se espalhou rapidamente por toda a Espanha continental, Portugal, Andorra e partes do sul da França.
A falha no sistema elétrico foi atribuída a um “zero energético”, caracterizado por uma perda abrupta de 15 gigawatts em apenas cinco segundos, possivelmente devido a uma oscilação de potência e desconexão com a rede elétrica da França.
Alex Ferrer, jornalista brasileiro natural de Balneário Camboriú e atualmente atuando em relações públicas, está em Alicante, na Espanha, visitando amigos quando o apagão ocorreu. Em entrevista à repórter Daniela Meller, Ferrer compartilhou sua experiência e os desafios enfrentados durante o período de interrupção de energia.
A Experiência de Alex Ferrer em Alicante
“Nunca vi nada igual”, afirmou Ferrer. “Por volta de meio-dia e meia, a luz acabou aqui em Alicante. Eu já morei em Madrid, mas nunca presenciei algo assim. A vizinhança começou a se comunicar, pois é raro a luz acabar na Europa”, relatou.
O impacto foi além da falta de eletricidade. “O prédio onde estávamos também ficou sem água. A tecnologia aqui utiliza boilers, e sem energia, a água não estava sendo bombeada. Tivemos que usar água da piscina para necessidades básicas”, explicou Ferrer.
A situação se agravou com a interrupção das comunicações. “A internet caiu completamente. Só consegui sinal em um local próximo à sede da Telefônica, onde havia uma antena gigante”, disse. Enquanto isso, a cidade enfrentava um clima de caos, com sirenes de ambulâncias e carros de polícia circulando pelas ruas.
O Impacto nas Comunidades e nos Serviços
A interrupção afetou gravemente os serviços públicos e a mobilidade. “Os semáforos não funcionavam, o transporte público parou, ninguém conseguia pegar um Uber, e os trens não estavam funcionando”, relatou Ferrer. “Fomos buscar as crianças na escola, e já estava um caos, com muitos pais procurando seus filhos”, acrescentou.
Além disso, a disseminação de informações falsas gerou ainda mais confusão. “Uma vizinha nos alertou para não sair de casa e não atender à porta. Parecia o início da pandemia”, disse Ferrer. “No supermercado, as prateleiras de água ficaram vazias rapidamente, e as pessoas estavam levando grandes quantidades”, completou.
De dia a corrida foi para estocar água.
Resposta das Autoridades e Situação Atual
Em resposta à crise, o governo espanhol declarou estado de emergência em várias regiões, incluindo Madrid, Andaluzia e Extremadura. O Ministério do Interior mobilizou forças de segurança e iniciou esforços para restaurar a ordem e os serviços essenciais.
A recuperação do fornecimento de energia foi gradual. À noite, 78% das subestações estavam operacionais, mas muitas áreas ainda enfrentavam interrupções no serviço.
Ferrer planeja permanecer na Espanha por duas semanas, descreveu a situação como “estranha”, destacando que, apesar da presença de fontes de energia renovável, a falha no sistema elétrico foi inesperada. “É um país que funciona bem, e ver algo assim foi surpreendente”, concluiu.
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