Em um trágico incidente ocorrido em Timbó, uma criança de 1 ano de idade faleceu após ser internada no Hospital Oase. O caso, que inicialmente gerou suspeitas de maus-tratos, está sendo cuidadosamente investigado pelas autoridades, que buscam esclarecer as causas da morte e as circunstâncias em torno do ocorrido.
De acordo com o relatório inicial da Polícia Militar de Timbó, divulgada à imprensa, o fato foi registrado no domingo, 16 de fevereiro de 2025, por volta das 20h52. A criança, que estava internada na UTI desde terça-feira, 13 de fevereiro, foi levada pela mãe para atendimento médico devido a convulsões.
A equipe do hospital, segundo a PM, teria levantado ‘a suspeita de maus-tratos após observar lesões antigas na região da cabeça da criança, além de sinais que indicavam possível intoxicação medicamentosa’.
Segue relatório na íntegra: “No local, a equipe (PM) conversou com a psicóloga do hospital, que relatou que a criança deu entrada no hospital na terça-feira, encontrando-se atualmente internada na UTI, com suspeita de evoluir a óbito.
A psicóloga informou que a equipe médica suspeita de maus-tratos por parte da mãe e do padrasto
da criança, considerando que o quadro clínico apresentado não foi totalmente explicável. Conforme
o protocolo do hospital, quando um paciente se encontra em estado crítico, são oferecidos
momentos de conforto aos familiares, como vestir o paciente com uma roupa que goste. No entanto,
a mãe expressou que não gostaria que o corpo fosse submetido a autópsia.
Em conversa com a equipe médica, foi relatado que a criança chegou ao hospital apresentando
convulsões, trazida de táxi pela mãe, que demonstrava aparente falta de preocupação com o estado
do filho. Exames realizados no momento da internação indicaram lesões antigas na região da
cabeça, além da presença de medicamentos no organismo que poderiam ter causado as
convulsões.
A mãe relatou que, na noite anterior, a criança apresentou vômito, diarreia e febre. Procurou
atendimento médico no hospital de sua cidade, onde foi administrado um medicamento para febre.
Posteriormente, a criança foi transferida ao Hospital Oase, onde recebeu soro e medicação, sendo
liberada pela manhã.
Já em casa, a mãe tentou amamentar o filho, que recusou e dormiu. Ao perceber que a criança voltou a convulsionar, acionou um táxi para levá-la novamente ao hospital, onde foi entregue aos cuidados médicos.
Enquanto o boletim de ocorrência era preenchido, a guarnição foi informada de que a criança havia
morrido. Diante dos fatos, foi lavrado o boletim de ocorrência, com o acionamento da Polícia
Civil e da Polícia Científica, que encaminhou o corpo ao IML para os procedimentos legais.”
O delegado Filipe Martins, da Polícia Civil, que estava de plantão quando o caso foi registrado, explicou que: “Será instaurado inquérito pela Delegacia de Timbó para apurar os fatos e os envolvidos serão ouvidos no decorrer da semana”.
O delegado Ismael Gustavo, titular da Delegacia de Timbó, ressaltou que, embora a Polícia Militar tenha inicialmente levantado suspeitas de maus-tratos, a equipe médica não encontrou sinais evidentes de agressão. O delegado também apontou que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) será crucial para esclarecer a causa da morte. “A nossa investigação se concentra na possibilidade de intoxicação medicamentosa, especialmente devido à alteração no fígado da criança e ao histórico de medicamentos usados”.
Inicialmente, a mãe da criança informou que o filho sofria de ‘mielomeningocele’ e estava em tratamento com diversos medicamentos, o que poderia estar relacionado ao quadro clínico que levou à sua morte.
Além disso, o delegado mencionou que provavelmente haverá, por parte da unidade de saúde e da própria mãe da criança, o registro de uma ouvidoria contra a Polícia Militar, devido à forma como o boletim de ocorrência foi conduzido e à divulgação do caso à imprensa antes da conclusão das investigações. Ele também anunciou o acionamento do Ministério Público para acompanhar o andamento do caso.
Neste momento, as autoridades aguardam os resultados dos exames toxicológicos e o laudo final do IML para esclarecer de forma definitiva as causas da morte da criança. A comunidade de Timbó acompanha atentamente o desdobramento deste caso, que envolve questões delicadas de saúde pública e responsabilidade dos envolvidos.
A Polícia Civil segue com a investigação para garantir que todas as circunstâncias sejam apuradas e a justiça seja feita de forma clara e justa.
A reportagem entrou em contato com a assessoria da PMSC em Florianópolis e aguarda retorno sobre a posição da instituição com relação a declaração de uma possível ouvidoria.
Mielomeningocele é uma malformação congênita da coluna vertebral que ocorre quando o tubo neural não se fecha completamente durante a gestação. É uma forma grave de espinha bífida aberta








