Na cidade de Barra Velha, litoral Norte de Santa Catarina, o assunto dessa quarta-feira, 30, é um só: a indignação e revolta pelo fato da Polícia Militar ter liberado o motorista que invadiu a pista contrária e matou atropelado o motoboy Jonatan Dutra Marquardt, de apenas 19 anos de idade. O comandante da PM explicou o caso.
Segundo as testemunhas, o motorista do carro de passeio ‘estava embriagado’ e apresentava ‘forte odor etílico’, característica de quem havia ingerido bebida alcoólica, mas, teria se negado a fazer o teste do bafômetro e depois teria sido liberado pela guarnição da PM que atendeu a ocorrência.
A empresária Naiara Zaneti, presenciou toda a cena e contou à reportagem do Portal danimeller.com, que era por volta das 22h45 de terça-feira, 29, quando passava pelo local na companhia do esposo, logo depois do acidente.
Para assistir ao vídeo do momento da colisão acesse este link.
“Foi eu quem chamou a PM e meu marido ajudou duas pessoas que estavam prestando os primeiros socorros, uma testemunha ocular do acidente e um bombeiro de folga que passava pelo local, inclusive na identificação dos familiares”, disse.
“O que nos revolta e não dá para entender, é o porquê de terem simplesmente liberado o condutor do carro. A Lei o ampara em não querer fazer o teste, mas as polícias têm outras formas de comprovar ou descartar a embriaguez. No mínimo ele deveria ter sido encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos. Um jovem perdeu a vida, de forma prematura, mas a impunidade vai continuar. E se as Leis são brandas, que os responsáveis a transformem em mais rígida?”, questiona a empresária.
Várias outras testemunhas relataram o mesmo e fizeram questionamentos da atitude empregada no caso. Nos grupos de WhatsApp, após o caso vir à tona, muitas pessoas se solidarizaram com a família e com a perda.

ACIDENTE – Segundo os Bombeiros, a Central foi acionada por volta das 22h41, para se deslocar até a Avenida Governador Celso Ramos na entrada da cidade.
No local, o jovem que foi projetado no ar, bateu contra o carro e depois arremessado no asfalto, já estava sendo amparado quando a equipe de socorro chegou. Ele estava consciente, porém, desorientado.
O jovem apresentava escoriação na face, agitação e fratura de tíbia, além de laceração no joelho direito. Como os bombeiros constataram Traumatismo Crânio Encefálico e pupilas não reagentes, imediatamente ele foi encaminhado à unidade médica, onde não resistiu.
O jovem motoboy teria sido atropelado pelo condutor de Gol com placas de Joinville, e que, ainda de acordo com testemunhas, está com o documento atrasado.

A fatalidade ocorreu no cruzamento com Rua Marino Pinheiro (em frente ao prédio do antigo terminal rodoviário), quando o motorista do Gol deu sinal, porém, invadiu repentinamente a pista contrária.
Imagens de câmeras da região mostram o motociclista “voando” por sobre o capô do Gol, e caindo na pista logo em seguida.
PM – A reportagem entrou em contato com a companhia da PM em Barra Velha, e, segundo o comandante capitão Diogo Lima, a equipe de plantão agiu de acordo com o que prevê a Lei estabelecida na Resolução nº 432 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN).
“A determinação prevê o TCSACP e estabelece que a comprovação de alteração da capacidade psicomotora exige a presença de vários sinais, não apenas um, e nesse caso em específico, apenas um foi constatado pela guarnição”, explicou.

O relatório foi encaminhado à Polícia Civil que já instaurou Inquérito Policial para apurar o caso.
A reportagem também confirmou que o veículo em nome de D.F.R., encontra-se com os documentos em atraso desde o ano de 2021. Em virtude disso o veículo foi apreendido e removido ao pátio.
FAMÍLIA – A reportagem também entrou em contato com familiares da vítima e conversou com o padrasto dele e com um irmão. Leandro contou que Jonatan era um dos quatro filhos, jovem cheio de sonhos e trabalhador.
Jonatan era natural de Itajaí e morava com a família em Barra Velha. Durante o dia trabalhava com autopeças e de noite, para complementar a renda, desempenhava a função de Motoboy.
O velório está acontecendo desde às 15 horas na capela do Cemitério Central.
OUTRO CASO – Naiara Zaneti contou ainda, que em maio desse ano, na Quinta dos Açorianos, o carro dela estava estacionado em frente a uma ‘Verdureira’. “Uma pessoa embriagada conduzindo um carro, bateu no meu carro parado, com meu esposo e filho dentro. A batida foi tão forte que o carro lançou uns 3 metros de onde estava”.
Nesse caso segundo ela, o motorista fugiu do local do acidente, foi perseguido e detido na frente do Fórum, quando uma viatura da PM se aproximou.
“A polícia sequer fez uma vistoria dentro do carro dele e não viu que dentro tinham garrafas de corote. Só escreveu no boletim de ocorrência que ele tinha um forte cheiro de bebida. Álcool e direção matam e quando não mata provocam prejuízos. Todos os custos eu tive que pagar, fiquei três meses sem carro. É necessário que a Polícia Militar haja de forma preventiva, que sejam feitas Blitzen repressivas, que o consumo de álcool seja penalizado para quem ainda insiste em dirigir bêbado, do contrário, mais vidas serão ceifadas”, finalizou.








