Apesar do Brasil não ter um relatório atual da quantidade de pessoas vivendo em situação de rua no país, em 2022 o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) apontou que 236.400 pessoas (1 em cada mil) moram nas ruas, distribuídas em 64% dos municípios brasileiros.
Em Barra Velha, litoral Norte Catarinense, de acordo com o Censo de 2022, dos 45.371 moradores, 68 dos habitantes viviam em situação de rua (PSR), porém, esse número com a chegada da temporada pode ter aumentado para 150 em média.

Preocupado com o tema, o vereador Marcelo Nogaroli (MDB), vem tratando sobre a pauta em Tribuna há algum tempo, e na sessão dessa quinta-feira, 14, o parlamentar sugeriu o estudo de um projeto (inovador) que possa de alguma maneira oportunizar esse público.
“São seres humanos e precisam de dignidade. Ali, junto deles, sentados nas calçadas, com o olhar vazio, deitados debaixo de viadutos, encima de um papelão, tentando se proteger do frio, em busca de restos de comida para saciar a fome, tem um filho, um pai, uma mãe, um profissional e uma história, que por algum motivo eles resolveram deixar para trás”, lembra o vereador.

Segundo ele, o poder público num geral deve ter a responsabilidade de trazer de volta a dignidade dessas pessoas, trazer à tona a vontade de viver em sociedade. “Se estão com alguma doença psicológica, que seja tratada, se o problema é o vício em produtos ilícitos ou no álcool, que tenham a chance de buscar tratamento, se simplesmente perderam a vontade pelo todo, que eles possam ter a chance de recomeçar”, continuou.
“Aqui em Santa Catarina a construção civil nunca para. A ideia por exemplo, é fazer uma busca ativa junto a esse público para saber se dentre eles existam talentos direcionados ao setor. E não me resumo só à construção civil, existem casos de pessoas em situação de rua que eles eram médicos, engenheiros e com altas qualificações, e para os que não tem profissão ou nenhuma qualificação, oportunizar o direito de aprender”.

O parlamentar pontuou também o fato de permitir àqueles que assim desejarem, voltarem para os seus ‘locais de origem, junto aos familiares’. “O que falta é um olhar mais humano, o que falta é o desejo de querer ajudar. Não basta tão somente apontar o problema, mas buscar soluções”.
CARROCINHAS – Outro detalhe apontado pelo vereador, é quanto aos catadores de reciclados. “Aqui mesmo em Barra Velha temos um número considerado desse público, que igualmente vivem em situação de rua. Nossa ideia é cadastrar esse público e buscar facilitar a venda dos produtos arrecadados por eles”.

RELATÓRIO – Segundo o relatório publicado em setembro do ano passado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), 1 em cada mil brasileiros não tem moradia.
O diagnóstico aponta que, do total de mais de 236 mil pessoas vivendo nas ruas das cidades brasileiras, 62% estão na região Sudeste, sendo o Distrito Federal a unidade federativa com maior percentual, 3 entre mil pessoas vivendo nas ruas. O perfil dessa população é majoritariamente composto por homens (87%), adultos (55%) e negros (68%).








