Toda semana estou por aqui trazendo muitas novidades sobre o Airsoft no Brasil. Hoje vou apresentar mais uma modalidade: o Speedsoft. Em tradução literal significa “velocidade suave”, ou ‘velocidade e agilidade’. A modalidade foi popularizada no sul da Califórnia e por aqui ainda é quase uma ‘novidade’, por ser totalmente voltada para o entretenimento dos jogadores dentro do campo de batalha.
E apesar de existir há muito tempo, só agora o Speedsoft vem ganhando notoriedade entre os operadores de Airsoft no Brasil, justamente por ser uma modalidade que foge do tradicional ‘campo de batalha’.
A modalidade, além da diversão, visa a velocidade e agilidade dos jogadores. As regras são muito simples e únicas, as armas são básicas e suas munições não possuem limites. Ou seja, o Speedsoft é um estilo de jogo que traz a sensação de adrenalina a todo momento, pois os jogos são mais frenéticos.
Mas se ela é pouco difundida no Brasil, por que ainda tem quem aposte? E é sobre esse assunto que vamos falar hoje no nosso bate papo. E ninguém melhor para trazer todos esses detalhes do que o meu amigo Olivan da Silva, o ‘Pistoleiro Airsoft’.
Natural da Paraíba, Olivan da Silva tem 38 anos, é professor de Muay Thai e Boxe e jogador de Airsoft há quatro anos. Com o tempo e a experiência, ele criou no Nordeste Brasileiro, uma equipe especializada em Speedsoft. E agora nós vamos ter esse papo descontraído com mais uma figura importante quando o assunto é Airsoft no Brasil.
– O que te fez escolher o Airsoft como esporte?
Pistoleiro: “Praticamente foi minha esposa, Gabriela Claudino. Ela me apresentou ao esporte. Durante um jogo de ‘paintball’, ela contou ter visto umas postagens de uns amigos jogando Airsoft. Fiz uma pesquisa e curti muito, até ir conhecer pessoalmente. No primeiro game joguei com uma arma alugada, não matei ninguém, enquanto ela matou aos montes (risos).”
– Qual sua modalidade preferida?
Pistoleiro: “Sendo Airsoft, gosto de todas. E é justamente isso que torna o esporte maravilhoso, a variedade de modalidades dentro de um único esporte.”
– Joga em qual categoria?
Pistoleiro: “Jogo e sempre joguei de Assault, sendo minha arma principal a própria pistola.”
– Quantos jogos já participou?
Pistoleiro: “Não tenho ideia, pois jogo todos os finais de semana. Já cheguei jogar 3 vezes por semana, então, não tenho uma quantidade exata de quantos jogos, sou, digamos, um viciado pelo esporte (risos).”
– Conta um pouquinho da história do Pistoleiro?
Pistoleiro: “Sou um apaixonado pelo esporte, porém, não vivo do esporte, vivo o esporte. E uma maneira que encontrei para difundir e divulgar ao máximo o esporte, foi por meio das ‘games plays’ nas redes sociais (Instagram, YouTube, Tokyo). Já fiz parte de organização de operações a exemplo da 3K. E hoje sou apenas um operador que gosta de gravar vídeos dos games e estar no meio com a galera”
– Como foi essa ideia de jogar apenas com pistola?
Pistoleiro: “Na verdade não foi uma ideia, foi falta de adaptação e jogabilidade com equipamentos tradicionais, tipo ‘aeg’ ou ‘sniper’. Não posso dizer que não tentei, joguei 4 finais de semana seguidos, não consegui matar ninguém nos games, até perguntar pra um ‘brother’ se ele queria jogar com minha ‘aeg’ e eu jogar com uma pistola elétrica que ele estava. Nesse dia que nasceu o Pistoleiro Airsoft. Fiz várias kills e no dia seguinte comprei uma pistola Glock gbb (Green Gas). Daí em diante passei a usar apenas pistolas e me adaptei melhor.”
– No Nordeste você é um dos pioneiros da ‘Speedsoft’, uma modalidade ainda pouco difundida, como está sendo esse começo?
Pistoleiro: “Não sou um especialista em Speedsoft, mas essa modalidade bem competitiva veio para ficar. Como qualquer outra, tem suas táticas. E uma partida mais agitada, um jogo muito rápido, extremamente dinâmico porque o jogador não para em campo. Atualmente temos o 5×5, um braço do Speedsoft, iniciado de forma diferente e que está crescendo a cada dia”.
– Quais seus equipamentos e como funciona a pistola HPA?
Pistoleiro: “Hoje continuo usando pistolas, porém a plataforma é hi-capa (uma forma customizada de pistola), tenho várias opções de uso, magazine estendido, magazine tradicional ou com adaptador de M4, cada um com suas adaptações.”

– Quando criou o Pistoleiro, suas pistolas foram mudadas para HPA ou você ainda tem das tradicionais?
Pistoleiro: “Usei Green gás por mais de um ano, porque o ‘HPA’ era muito caro e o conhecimento muito escasso. Quem sabia não dividia. Assisti muitos vídeos dos gringos, onde essas armas são mais usadas, pra tentar montar meu primeiro kit, porém, antes de tentar o ‘HPA’ real, usei o kit ‘HPA’ Green gás por um longo tempo. Aos poucos fui comprando meu primeiro kit, ao todo 3, até ter o que tenho hoje. Gastei muito até montar esse, fui o primeiro a usar ‘HPA’ aqui na região e fora a limitação no conhecimento ainda tinha o preconceito daqueles operadores que não sabiam como funcionava”
– Como foi lidar com esse preconceito?
Pistoleiro: “A primeira dificuldade é que os outros jogadores achavam que o FPS (Feet Per Second) poderia ser alterado, ou seja, a velocidade do equipamento, porém, apenas o leigo pensa isso, pois o cilindro de ‘HPA’ é colocado na mochila e ter acesso a ele é muito trabalhoso, perderia muito tempo de jogo. Apesar disso, alguns operadores desconfiavam que o jogador poderia se esconder e fazer essa alteração. Outro detalhe é que os nossos equipamentos só aguentam até uma determinada pressão, um exemplo: o green gás libera de 150 a 200 psi, já no HPA a reguladora vai até 150 psi. Depois muita gente achava que eu queria ‘pantibolizar’ o Airsoft, mais acredito que o Airsoft você joga da maneira que quer e quando quer, estando dentro das regras, isso é o que importa.”
– Hoje você tem a sua equipe, fala um pouquinho dela, quando foi criada, quem são os integrantes?
Pistoleiro: “Sou líder de 2 equipes, a Paraíba Airsoft e a Squadpistol. Delas, a mais ativa é o Squadpistol, onde jogam operadores de outras equipes como convidados. Na Squadpistol são os amigos operadores que gostam de jogar com o Pistoleiro, e entre eles estão: Maneto, Gordinho Tático, Fernandes Colombiano, Neto Cano Torto, Maxwell, André Menezes, Justiceiro Pistol, Bryan, Ulisses Pistol, Wilk, Batata, Barreto entre outros. Quando tem jogos e operações, sempre jogamos juntos. Essa equipe é diferenciada por ter integrante de várias outras equipes dentro dela, sendo operadores com uma só missão, se divertir.”
– Pra fazer parte da sua equipe só pode jogar utilizando pistola?
Pistoleiro: “Vindo pra somar e tendo em mente que tem o dever de seguir todos os princípios e condutas do Airsoft, todos podem jogar como convidado na Squadpistol (sniper, DMR, suporte, Assault). Formamos uma legião de operadores, lembrando que isso independente da categoria e do equipamento. A Squadpistol não é totalmente uma equipe, são pessoas que gostam de jogar junto com o Pistoleiro”.
– Você fez parte da criação e da organização da Operação Lockdown. Não gostaria de criar um jogo mais a sua cara?
Pistoleiro: “Sinceramente? Não! Particularmente gosto de jogar e quando fazia parte do 3K ficava na organização das operações com a vontade enorme de jogar. Isso foi o gatilho para a minha saída.
– Quais seus novos projetos daqui para frente?
Pistoleiro: “Como todo operador de Airsoft, gostaria de estar participando de todas as operações nacionais, mas sabemos que isso gera custos muito alto. Sobre os meus equipamentos, estou satisfeito com os que tenho, mas sem dúvida estou montando outros, de repente aparece novidade por aí. Para 2024 quero fazer um tour em games fora do estado”.
– Para a gente finalizar, compartilha as datas da sua agenda de 2023.
Pistoleiro: “Desde já agradeço a cada um que chegou até aqui, conhecendo um pouquinho do que o Pistoleiro tem para oferecer e o espaço que oportunizou eu dividir um pouco da minha história. Quanto a agenda de games e operações, como preciso alinhar a vida profissional e pessoal com o Esporte, estou confirmando a participação a cada mês. Um grande abraço a todos”.
Quem quiser acompanha as aventuras do Pistoleiro é só clicar nos links: @pistoleiroairsoft e YouTube/pistoleiroairsoft clica aí em cima e visite as redes sociais do super Pistoleiro.
Abaixo trouxemos mais detalhes sobre a ‘Speedsoft’.
Regras:
Diferente das operações clássicas que possuem regras que variam de evento para evento e visam o realismo das operações militares, que pode durar horas e em alguns casos dias, o Speedsoft possui regras mais simples e dificilmente tem mudanças.
Além de visar o reflexo e a alta performance em um curto período de tempo, ela promete muito devido à alta rotatividade de jogos durante os eventos, tornando até mais competitivo que outros estilos de jogos.
Campos de batalha do Speedsoft
Os locais onde será disputado o Speedsoft são praticamente os mesmos praticados pela modalidade CQB, sendo campos mais simples, curtos e com diversos obstáculos. Dentro do Speedsoft os modos de jogos são infinitos. Um deles é o “Capture a bandeira”, que tem como objetivo capturar a bandeira do adversário.
Além disso, as partidas de Speedsoft podem ser realizadas em campos abertos, ou em até galpões fechados, devido a versatilidade desta modalidade. Normalmente são arenas mais curtas e simples, com diversos obstáculos para dar uma dinâmica mais frenética ao jogo.
Qual o objetivo de uma partida de Speedsoft?
O Speedsoft é considerado um jogo com muitas variações em cada partida, sendo assim, cada partida terá suas próprias regras e objetivos.
A mais popular consiste em duas equipes ou mais, com 5 jogadores em cada time. Nesta partida o objetivo é simples: Capturar a bandeira da equipe adversária.
A arena de batalha pode ser das mais variadas possíveis, contendo pneus, sacos de areia, paredes de concreto, entre outros. Esses obstáculos são propositalmente colocados, a fim de ajudar os operadores a se manterem protegidos enquanto realizam seus disparos.
A partida acaba, quando uma equipe captura todas as bandeiras do time adversário. O jogo não tem um tempo exato de duração, podendo durar alguns minutos ou muitas horas.
Armas utilizadas no jogo
Para essa modalidade de jogo é recomendado que sejam utilizadas armas curtas e leves, assim facilita que o operador realize de forma mais fácil o manuseio durante os tiros. Por ser uma modalidade muito frenética, as armas pesadas podem dificultar a jogabilidade.
Normalmente, os operadores utilizam armas AEG, e levam consigo baterias extras. As AEG’S são escolhidas, devido a sua potência e a facilidade em trocar a bateria, que durante o Speedsoft deve ser rápida e eficaz.
Nos jogos também podem se utilizar de pequenas lanternas com funções estroboscópicas e cores como verde, roxo e azul para piscar e desorientar os membros da equipe adversária.
Além disso, recomenda-se o uso de armas que realizam disparos com maior velocidade e rapidez, como por exemplo rifles e submetralhadoras. Abaixo indicamos alguns modelos utilizados na prática do Speedsoft.
Rifles de Airsoft AEG
Utilizados devido a sua versatilidade de potência e a possibilidade de disparos rápidos, além disso, a troca de baterias é rápida, ajudando na agilidade do operador.
Pistolas e Revólveres de Airsoft
Muito indicado para tiros em curtas distâncias, quando os operadores ficam a poucos metros dos seus inimigos, além disso, a troca de magazine é rápida, possibilitando agilidade e eficiência em campo.
Rifles e AK de Airsoft
Estes modelos, possuem no geral grande capacidade de magazine, oferecendo maior quantidade de disparos sem a necessidade de realizar o carregamento novamente, além disso, são modelos com boa precisão e desempenho.
Quais munições posso utilizar durante o Speedsoft?
Como o jogo é praticado com armas de Airsoft, a munição padrão são BB’s (esferas plásticas), com calibre padrão de 6mm.
Porém, dentre as opções de bb’s é recomendado o uso de esferas de menor peso, oferecendo maior velocidade nos disparos, mas a escolha também dependerá da arma escolhida para a partida. Abaixo, vamos citar algumas gramaturas que os operadores podem escolher:
BB’S 0,12g
É um modelo muito utilizado em armas spring, esta gramatura mais baixa oferece velocidade em armas com FPS mais baixos, entre 200 a 250.
BB’S 0,20G
É a mais preferida em modos competitivos do Airsoft, incluindo o Speedsoft. Possui um peso ideal para utilizar com armas AEG, com FPS igual ou superior a 250.
BB’S 0,25
Os operadores optam por esta gramatura em armas com FPS acima de 360, pois ela oferece maior precisão, não perdendo tanto alcance efetivo.
BB’S Traçantes
São as bb’s utilizadas em jogos noturnos, pois oferecem luminosidade nas cores verde ou vermelho, com isso, o operador consegue acompanhar o destino e trajetória de seus disparos.
Ao escolher a bb traçantes, você precisará de um upgrade para sua arma, utilizando na ponta do cano um tracer.
Vale lembrar também, que existem bb’s com gramaturas maiores, porém não são muito recomendadas e nem indicadas para este tipo de partida, sendo mais utilizadas por snipers que atiram a distâncias maiores.
O que vestir?
Por ser um jogo de velocidade, é essencial utilizar equipamentos mais leves. Ao praticar a modalidade, os jogadores optam por usar trajes mais esportivos, leves e coloridos, ou seja, os jogadores têm muito mais liberdade na maneira como se vestem, mostrando o seu próprio estilo pessoal.
Além disso, utilizar coletes com porta carregadores acoplados pode ser de grande ajuda aos operadores, uma vez que os disparos são realizados com muita frequência e velocidade, a troca constante de magazines será necessária.
Vale ressaltar, que o uso de equipamentos de segurança é indispensável em todos os esportes de ação, por isso dê prioridade ao uso de óculos de proteção. Além disso, luvas e ‘balaclavas’ podem ser de grande importância durante a partida.
E aí, gostou de conhecer mais uma super celebridade do Airsoft do Brasil, mostrando mais uma categoria super interessante e cheia de agilidade? E semana que vem tem mais, aproveite e nos siga nas redes sociais: Airsoft, @paulinha_dmr, clica aí e visite minha página no instagram
Fonte: Gabriel Dias








